Recebi mensagem por e-mail de Celina Faccini. Não direi que ela é amiga de longa data, para que ela não fique brava comigo. Enviou-me o texto “Casa Arrumada”, que reproduzo, atribuído a Carlos Drummond de Andrade. Tão bom que poderia mesmo ser dele. Mas, como gostei muito, pesquisei e descobri que é de autoria de Lena Gino, que mantém o blog Mundo Paralelo. Ela é do Rio de Janeiro e escreve coisas bem interessantes.
É uma loucura essa enxurrada de textos que circulam na internet, atribuídos a autores que jamais imaginaram escrevê-los. E é impressionante quanta porcaria acabamos lendo até descobrir que não valeu a pena ocupar nosso tempo com aquilo. Por isso, procuro enfatizar a importância do que nos preenche de forma muito positiva como o texto de Lena Gino. Leia e depois veja se concorda com meu comentário.
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.
Eu entendo que Lena tem toda razão. Porque o que importa mesmo na vida é ser feliz. Eu aposto que tem gente que vive muito melhor em uma casa simples, mas que irradia alegria. Há casas imensas, ricamente decoradas, tudo com muito bom gosto, cada coisa rigorosamente em seu lugar. Porém, habitadas por gente mal-humorada, amargurada, que não conversa com os próprios irmãos, filho que não faz um carinho no cabelo da mãe… Pessoas que se saem muito bem na tarefa de ganhar a vida, mas que não cultivam a arte de se dar um tempo para serem felizes.
Jamais ficar brava com você.
“Não vale o que temos, nem o que sabemos, nem o que fazemos: vale o que somos.” (C. Torres Pastorino).
Você É muito especial.
Sucesso na nova revista.
Adorei ler isso. Minha casa é meramente funcional. Não há peças decorativas, do tipo ‘enfeites’, nem porta-retratos, nem jarrinhos com flores, sequer colchas rendadas ou floridas nas camas (estico o lençol, dobro as colchas e só). Mas minha casa tem vida; sempre há algo fora do lugar, porque o movimento é permanente; sempre há um pacote de biscoitos ou de pão esquecido na mesa; um copo não lavado na pia; fios repuxados pelas gatas nas mantas dos sofás; meias no chão do quarto do meu filho (arrume isso já, menino!); livros espalhados; revistas sendo lidas; roupa no varal, roupa pra passar, roupa pra lavar; violão na poltrona.
Ser mulher é ser mãe, dona de casa, professora, faxineira, executiva, chefe escoteira e mais quantas habilidades for preciso. O gostoso é poder receber as pessoas e ouvir delas que nossa casa é acolhedora. Sempre que me estresso com a bagunça da minha casa, vejo que meu lar vai muito além da pilha de roupas para passar ou da louça para lavar. A harmonia está no amor que mora dentro da nossa casa.
Adorei o texto….
bjs
Aaaaa
Simplesmente lindo!
Muito bom!
Me vi neste texto, e me troxe leveza na alma.
Parabéns.
Belíssima a matéria. Você me fez enxergar a mim e outras mulheres do meu convívio maníacas por limpeza. Suas palavras bem colocadas me fizeram refletir sobre pessoas.
Me fizeram lembrar da infância em SP, numa criação mineira e baiana de ser. O mineiro sempre receptivo, boa comida, bom papo (contador de causos) e musicalidade. Mãe baiana, simples, costureira, batalhadora, boa educação, poucos recursos e amor pra todos cantos. Obrigada pelas lembranças queridas, dessas histórias que hoje tento manter um pouco dentro da minha casa. Quando limpo, cozinho, organizo, recebo e ensino, é sentindo no fundo do meu coração, tudo que me foi passado de bom e ficou. Abraços.
Olá Carleto há tempos atrás escrevia emails pro Sr. com meus textos e recebia sua atenção em corrigí-los; alguns deles foram publicados na época no antigo Jornal Olho Vivo, atual DG.
De lá pra cá, muita coisa aconteceu em minha vida; mas continuo atento aos projetos de arte, a minha comunidade e escrevendo com frequência.
Gostei muito desse texto que postou, bem como a sua introdução do “post” que trata da autoria.
Recentemente saiu uma matéria na folha de São Paulo sobre a “VIRADA CULTURAL INDEPENDENTE” que realizo anualmente com meus alunos do Pq. Continental em Guarulhos. Estou colocando o link da matéria e de um video editado pelos meus alunos. Se houver interesse podemos compor algo pra Revista Weekend. Grande Abraço
Prof. Tiago Ortaet
http://mural.blogfolha.uol.com.br/2012/05/07/escola-faz-virada-cultural-alternativa-para-pais-e-alunos-em-guarulhos/
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fyoutu.be%2F17Hz_l1UCPE&h=IAQElaa3g