Situação constrangedora para ambas as partes

2011
01.24

No domingo da semana passada, presenciei uma situação pra lá de constrangedora no teatro Adamastor Centro.

Estava para ter início o show de Adam Presley e da Elvisback Big Band quando um casal que estava na fila abaixo da minha pediu para acomodar-se em duas cadeiras que estavam vazias ao meu lado. O marido explicou que não estava suportando ficar nos seus próprios lugares porque o espectador da fila imediatamente inferior exalava forte cheiro de corpo, o popular “cecê”.

A princípio, pareceu-me que pudesse haver um certo exagero, mas logo em seguida o forte odor começou a incomodar até quem estava na minha fileira, embora não estivéssemos na mesma direção. Minha esposa, que é mais sensível a cheiros – mesmo perfumes, começou a sentir dor de cabeça e só não foi procurar outro lugar porque o teatro estava lotado.

Houve quem reclamasse em voz alta, mas o dito cujo se fingiu de morto. Aliás, pelo mau cheiro, é possível que estivesse mesmo!!! Depois de algumas músicas, o sujeito levantou-se. Respiramos (comedidamente, lógico!) aliviados, pensando que ele tivesse se tocado do inconveniente que estava causando aos demais espectadores e fosse embora. Mas, doce ilusão, ele teve o cuidado de deixar uma sacola guardando o lugar. “Deve ter ido ao banheiro, dar um trato para amenizar a situação”, cogitamos. Outro engano: logo o rapaz voltou, sentou-se tranquilamente, exalando o mesmo extrato de gambá e continuou assistindo ao show, muito bom por sinal. Vê-se que bobo ele não era. Dali a um tempo, repetiu a atitude: saiu e voltou.

Quase no fim do espetáculo, sabe-se lá por que, pegou a sacola e retirou-se, como se nada tivesse acontecido. Vai ver que estava na hora do seu banho…

É incrível como uma situação dessas cria embaraços a ambos os lados. É evidente que ele ficou sabendo que estava incomodando, mas como a Constituição garante a todos o direito de ir e vir, fez-se de rogado e ali permaneceu. As pessoas em volta comentavam entre si e nada podiam fazer. Alguém poderia arvorar-se o direito de, em nome da maioria, pedir ao cidadão para deixar o local? Invocando qual lei, a do bom senso?

Nem sei por que estou escrevendo sobre isto. Talvez equivalha a um desabafo, só isso. Afinal, não creio que nenhum dos meus leitores cometesse um despautério desses. Portanto, é difícil que esta solitária manifestação chegue aos ouvidos do tal rapaz. E, ainda que chegasse, duvido que seus citados aparelhos auditivos estejam em boas condições de funcionamento. Haja cotonete!

Perdão, amigos internautas (se fosse petista, escreveria amigos e amigas) por ocupar seu tempo com assunto tão indigesto. Fiquei até um pouco tonto, mas não posso ficar mudo. É preciso ecoar, para que surja talvez uma campanha institucional: “O Ministério da Saúde adverte: economize água, mas não exagere. Os outros espectadores devem ter o direito de respirar dentro do teatro”.

One Response to “Situação constrangedora para ambas as partes”

  1. Celina disse:

    Clapt clapt clapt clapt clapt clapt clapt
    Parabéns, mais uma vez.
    Com muito carinho e admiração ( tomei banho hoje, viu ? rsrs)

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