Archive for setembro, 2010

A força da interpretação de Paulo Gracindo em “Não vou por aí”


2010
09.29

Pesquisando arquivos para a apresentação que farei do monólogo “Versos Roubados”, encontrei no Youtube o áudio de trechos da peça “Brasileiro, Profissão Esperança”, com a cantora Clara Nunes e o ator Paulo Gracindo, ambos de saudosa memória.

Essa peça é um marco na história do teatro brasileiro. Uma curiosidade que representa orgulho para os guarulhenses: o sonoplasta foi Marcelo Toffoli, radicado na cidade. Um de seus filhos, João, seguiu seu ramo de atividade, com a empresa AAT – Áudio, Acústica e Televisão, responsável pela sonorização de muitos eventos da cidade. O outro, Carlos Eduardo, é sócio do restaurante Kame Sushi e do empório Dona Oliva.

Na parte 4, cujo link forneço abaixo, Gracindo declama o trecho final do poema “Cântico Negro”, do poeta português José Régio. Sua interpretação é de um vigor impressionante. Chega a dar inveja das pessoas que estavam no teatro e que tiveram a oportunidade de vê-lo atuar. Ouça e diga se não é de arrepiar. A fala à qual me refiro começa aos 3 minutos do áudio.

Não vou por aí

Um convite aos amigos internautas: Versos Roubados


2010
09.29

Alexandre

Espero contar com a presença dos amigos internautas na única apresentação que farei da peça “Versos Roubados”, após longa ausência dos palcos.

Será no Colégio Parthenon, unidade I, na rua Cônsul Orestes Corrêa, 55, Bom Clima, dia 28 de outubro, quinta-feira, às 20h. O ingresso é gratuito, mas peço aos amigos que puderem comparecer que levem um pacotinho de fraldas, para serem doadas à Maternidade Jesus, José e Maria, que presta relevante atendimento social na cidade.

Trata-se de um monólogo, de aproximadamente uma hora de duração, que compus em 1990 e cujo texto é formado por letras de músicas de autoria dos melhores compositores brasileiros. Observando coincidências entre obras de autores bastante diferentes entre si, fui alinhavando frases e trechos, resultando em um enredo, com começo, meio e fim, que trata da vida do ser humano em todas as suas faces, as relações sentimentais, a natureza, as questões sociais e políticas, tudo isso que está no rico conteúdo das letras da MPB. Declamo-as, buscando dar-lhes uma interpretação coerente com o que dizem, e, para quebrar a rotina, canto um pouquinho.

Em geral, as pessoas comentam que a peça lhes fez viajar pelo tempo, perceber mensagens que não notavam nas mesmas músicas quando as ouviam cantadas, e que, de alguma forma, ter assistido lhes fez bem. Alguns espectadores já assistiram várias vezes e ainda me perguntam quando será a próxima apresentação. Como o tempo é sempre exíguo, não é fácil voltar a fazer, embora seja um exercício que muito me realiza.

Se puder me dar o prazer de sua presença, peço a gentileza de confirmar pelo e-mail valdir@revistaweekend.com.br, para que possamos avaliar quantas pessoas irão e, assim, adaptarmos o espaço e as condições de som e imagem da melhor forma possível.

Desde já, fico muito grato pela atenção.

Rita Pavone, muitas décadas depois


2010
09.22

A música italiana, em minha opinião, viveu seu auge nos anos 60 e 70. Muita gente boa pode ter aparecido depois, mas nada se compara ao romantismo reinante naquela fase.

Não é à toa que na época pipocavam por aqui traduções e versões livres das canções italianas, e também faziam sucesso.

A minúscula cantora Rita Pavone agigantava-se quando abria a boca e entoava suas músicas que conquistaram multidões. “Datemi un martello” foi que a fez despontar para o mundo, mas as canções de amor é que realmente marcaram sua carreira.

Foi nessa fase que ela namorou Netinho, baterista dos Incríveis, que tive a felicidade de conhecer quando contratamos o conjunto para animar a festa dos 23 anos do então Jornal Olho Vivo e pude conversar bastante com ele. Sobre o romance com Rita, ele desconversa e ri, mas admite que rolou.

Mas, este artigo vem à tona porque recebi de um amigo um vídeo no qual Rita Pavone aparece, aos 63 anos, com um vigor de dar inveja, interpretando com maestria, a música “Fortíssimo”. No vídeo, a tradução é imperfeita. A palavra “pianíssimo”, por exemplo, aparece no original, mas refere-se a um tom muito baixo de voz, quase um sussurro. O termo “ciao” está traduzido por “tchau”, embora o italiano use essa expressão quando chega, é quase como um “oi”. De qualquer forma, vale a pena assistir. Clique no link abaixo e emocione-se.

Interpretação fortíssima de Rita Pavone

Duas realidades diferentes, tendo a família como foco


2010
09.18

Participei no sábado, 11, do Congresso de Pais, promovido pelo Colégio Parthenon, com palestra da pedagoga Telma Pillegi Vinha, doutora em psicologia do comportamento humano, com o tema “Relação Familiar – Amo, logo educo!”.

Na próxima edição da Weekend, no suplemento Educação, publicaremos a essência da palestra e das respostas dadas por Telma às questões levantadas pelos pais.

Considerando o quanto essa problemática está presente na vida das famílias, iniciativas como essas deveriam ser muito mais prestigiadas pelas pessoas, tendo em vista que era um evento aberto, de participação gratuita, e com um nível de informações raramente visto.

Telma Vinha foi precisa ao relacionar exemplos de questões envolvendo valores com situações que vivenciamos todos os dias na educação dos filhos, seja em casa, seja no ambiente escolar. Foi um aprendizado de extremo valor para todos que tiveram a felicidade de estar ali. Por isso, parabenizo toda a equipe do Parthenon por essa realização.

Na mesma esteira, está o I Fórum de Educação da Escola Estadual Profa. Hilda Prates Gallo, do Cocaia, que acontece nos dias 24 e 25 de setembro. A iniciativa da diretora, Regina Figueiredo, é rara e, pela relevância que encerra, merece todo apoio e incentivo de todos que ainda têm esperança de que é possível construir um país melhor.

Embora voltadas para públicos muito diferentes, as duas realizações guardam semelhança pelos propósitos que as motivam: a conscientização das famílias quanto aos papéis que lhes cabem e o fornecimento de meios para que consigam desempenhar bem essas funções.

A educação pública vai mal. Não só por culpa dos governos, nem dos professores, como é comum desavisados atirarem a esmo, sem se dar ao trabalho de refletir a respeito. Governos falham, porque valem-se de soluções imediatistas e acham que investir em equipamentos e propaganda é suficiente. Professores falham quando trabalham no magistério apenas para poder ficar fora de casa poucas horas por dia. Diretores falham quando se atêm unicamente a questões burocráticas e do ensino propriamente dito, sem olhar para a amplitude das causas e consequências.

Desmotivados e movidos por inúmeras influências, alunos cabulam aulas e se reúnem no bosque Maia, no McDonald´s, nas praças, fumam, bebem, etc. Onde e com quem as famílias pensam que estão esses jovens? Elas têm consciência de que cabe a elas cuidar dos filhos em qualquer idade? De quais mecanismos dispõem para guiar os filhos no melhor caminho?

Essas e muitas outras perguntas precisam de respostas. Eis uma oportunidade para encontrá-las.

Isto precisa ser difundido: policial salva criança


2010
09.18

Transcrevo notícia do Uol deste sábado:

Uma policial do atendimento de emergência da Polícia Militar de São Paulo salvou um bebê de sete dias ao orientar o pai pelo telefone. Segundo a PM, a criança havia engasgado com leite.

Por volta das 16h, o pai ligou para o 190 e pediu ajuda para desengasgar seu filho. Enquanto a agente atendia a ocorrência, uma viatura da polícia se dirigiu à casa da família, na rua Souto Soares, no bairro Engenheiro Goulart, região da Pena, na zona leste da cidade.

Após dez minutos, o bebê foi salvo e levado pelos policiais ao PS do Tatuapé, onde está em observação

Comentários anônimos com acusações


2010
09.16

Embora ainda haja um limbo jurídico no que diz respeito à responsabilidade sobre conteúdos postados na internet, busco embasar meu procedimento às normas que regem as publicações impressas.

Quando um texto não é assinado, a responsabilidade é do editor. No caso do blog, por exemplo, se eu aceito a inserção de um comentário anônimo, passo a assumir o conteúdo como se fosse meu.

Em assim sendo, permito-me rejeitar a postagem de comentários que contenham acusações e denúncias, cujos autores escondem-se no anonimato.

Nada do que faço é anônimo: tenho uma empresa aberta, com endereço, registro nos órgãos públicos; sou jornalista profissional com formação e o devido registro no Ministério do Trabalho. Assumo todas as opiniões que emito e respondo por elas.

Praticar cidadania é exercer direitos e cumprir deveres. Quem se acha no direito de fazer acusações a quem quer que seja, sem se expor, sem assumir os riscos pelas denúncias que faz sem uma prova sequer, não merece e não pode ufruir de espaço para manifestar-se, sob pena de transformamos o blog, que se propõe a ser um canal de debates, em um instrumento de revanchismo e de denuncismo irresponsável.

Quando me deparo com um comentário que resvala para esse campo, envio resposta ao e-mail mencionado pelo autor, invariavelmente a mensagem volta, porque o endereço citado é falso. Se, ao menos, o autor se identificasse perante mim e solicitasse que fosse mantido o anonimato por questões de segurança, eu poderia cogitar de publicar, desde que fornecesse meios para que eu pudesse aferir a veracidade do que afirma.

Assumir denúncias que um anônimo faz seria uma irresponsabilidade, não só com os acusados, mas também com os internautas que me dão a honra de acompanhar este blog. Em respeito à verdade e ao exercício digno da cidadania, portanto, alguns dos comentários enviados recentemente tiveram a divulgação bloqueada por mim.

Visíveis ilegalidades na campanha eleitoral


2010
09.13

São patentes as irregularidades cometidas em Guarulhos na campanha eleitoral.

O Artigo 37 da Lei 9.504/97, com redação atualizada pela Lei 12.034/2009, diz que nas árvores e nos jardins localizados em áreas públicas, não é permitida a colocação de propaganda eleitoral, mesmo que não lhes cause dano. Porém, como o parágrafo 6º diz que é permitida a colocação de cavaletes, bonecos, cartazes, ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos, candidatos de vários partidos estão emporcalhando a cidade e entupindo os canteiros com propaganda, inclusive sobre áreas gramadas.

O Artigo 39, parágrafo 3º, veda o uso de alto-falantes em distância inferior a 200 metros das sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Trabalho próximo à Prefeitura e o desde cedo passam carros de som de candidatos, a todo volume. Principalmente de Jorge Wilson, que tem um escritório aqui perto. Cada carro que chega, não para de tocar o jingle. Um inferno o dia todo.

Desrespeito à inteligência do eleitor e à própria Justiça Eleitoral é também a prestação de contas de Alan Neto, outro que abusa dos nossos ouvidos com seu manjadíssimo jingle. Ele teve a petulância de declarar à Justiça Eleitoral apenas R$ 10 mil de recursos. Só os adesivos dos carros devem ter custado muito mais do que isso.

Também é gritante a promiscuidade entre detentores de mandatos ou cargos, que apoiam ostensivamente candidatos de outros partidos. De que adianta um partido eleger um vereador e não poder contar com ele em uma eleição? Com quem estão os vereadores do PV, do PMN, do PR, por exemplo? Como pode a presidente do PMDB na cidade, Adriana Afonso, apoiar uma candidata do PSDB?

Mais grave e nítido ainda foi o desrespeito do PT, quando do comício pró-Dilma no sábado, 4. A lei é clara ao proibir afixação de propaganda eleitoral em postes e sinalização de trânsito, mas uma infinidade de faixas divulgando o comício foi colocada pelo partido em postes de semáforos.

Se não bastasse, a administração municipal colocou veículos e funcionários públicos e da Proguaru na montagem da estrutura para a realização do comício. O Art. 24 da Lei veda receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro de órgão da administração pública direta e indireta.Caso os petistas entendam que essa participação não é estimável em dinheiro, há o Art. 73, que diz: São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos: I – ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta. III – ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado.

Se ninguém cumpre a lei, se a baderna é generalizada, deveria instaurar-se pelo menos o direito do eleitor não ser obrigado a votar.

Quadro “As Twittadas do Carleto” estreia na Net


2010
09.09

Provavelmente a partir da noite desta quinta-feira, 9, ou, no máximo, na sexta, começa a ir ao ar, diariamente, pelos canais 3 e 20 da Net, TV Guarulhos, dentro do programa “TV Cidade”, o quadro “As Twittadas do Carleto”.

São breves comentários que farei sobre o momento eleitoral que o País e, particularmente, Guarulhos está vivendo. Falo sobre propaganda eleitoral, escrita ou sonora; sobre a qualidade (baixa) dos candidatos; a promiscuidade nos partidos e do desrespeito que eles têm pela opinião do eleitor e com a própria Justiça Eleitoral.

Convido os amigos internautas que me acompanham no blog a fazê-lo também pelo TV Cidade, programa que é apresentado por Martinho Risso e transmitido às 21h30, reprisado às 8 da manhã e ao meio-dia.

Quem não tiver acesso à Net ou não puder ver nesses horários, poderá assistir também pela internet: www.tvguarulhos.net , a qualquer hora. Geralmente, os programas são postados até mesmo antes de ir ao ar. mas pode ocorrer eventualmente de serem disponibilizados na rede no dia seguinte.

Segundo Martinho, embora não haja um momento exato no qual minha participação ocorrerá, é certo que será junto a um dos blocos comerciais, ainda que no intervalo de uma mesma matéria ou entrevista que o programa esteja veiculando.

Ficarei grato àqueles que assistirem e enviarem comentários de como estou me saindo nessa nova empreitada. É bem verdade que eu já participei muitas vezes com comentários no próprio programa do Martinho, mas as Twittadas consistem em um jeito mais brincalhão e jocoso de comentar. Aliás, não dá para ser diferente ao falar de eleições no Brasil. O panorama eleitoral virou uma palhaçada, sem querer ofender os palhaços de circo, esses, sim, dignos de todo respeito.

O show de Amauri Falabella e a Camerata no Nelson Rodrigues


2010
09.01

O compositor e cantor Amauri Falabella fez ontem um show no teatro Nelson Rodrigues, acompanhado dos violonistas José Ricardo Silva e Rafael Monteiro, e, no final, junto com a Camerata Guarucordas.

A apresentação fez parte do projeto “Concertos Matinais”, que vem, pouco a pouco, ganhando corpo no Nelson Rodrigues, e mais recentemente, passou a ocupar espaço também no Teatro Padre Bento, para sorte da cultura local e alegria dos que curtem música de qualidade.

Foi o que se viu ontem na vila Galvão: um repertório inspirado na natureza e, principalmente, na lua, abrilhantado por cordas magistralmente tocadas.
Amauri é mais um dos milhares de artistas brasileiros injustiçados. Sua música “Brincos”, defendida na ocasião por Lula Barboza, conquistou o primeiro lugar na votação popular, mas não logrou sequer uma quinta colocação entre os jurados, no último festival de música popular que a TV Globo realizou.

Foi no ano 2000. A Globo visivelmente não gostou do resultado, porque fez de conta que o festival não havia sido feito por ela: não repercutiu a final, não levou nenhum dos ganhadores a qualquer um de seus programas e nunca mais tocou no assunto. Se tivesse pretendido fazer justiça, teria dado um jeito de levar Amauri ao estrelato, quem sabe colocando uma de suas composições em alguma novela.

Lula Barboza é outro nome de talento, desprezado pela mídia, porque não faz parte dos esquemas das gravadoras.
Amauri Falabella se vira como pode, fazendo um show aqui, outro acolá, vendendo seus CDs de um em um, dando aulas de violão para sobreviver. Apaixonou-se por viola e se autodenomina “violeiro urbano”, título de uma de suas canções.

Ele poderia brilhar mais se cuidasse um pouco melhor de sua performance no palco, se se preocupasse em fazer algo em termos de marketing; enfim, se administrasse profissionalmente sua carreira.

Como fui seu aluno de violão, por alguns meses na década de 80 (um dos piores que ele já teve, sem dúvida), e sou seu amigo desde antes disso, atrevo-me a dar esses palpites. Sabe-se que a diferença entre conselho e palpite é que o primeiro é solicitado; o segundo, oferecido.

Gosto muito do que Amauri compõe, da forma como canta e, mas ainda, dos arranjos que faz. Quisera eu ter um décimo de sua destreza ao violão. Torço por ele e lamento não poder fazer muito para que ele alcance sucesso. Porque gente como ele merece muito mais do que tem obtido. Quem conhece geralmente gosta, mas a pouca gente é dado o direito de conhecê-lo, porque os esquemas que permeiam essa atividade estão pra lá de apodrecidos. A internet é uma válvula de escape que permite fugir dos bloqueios impostos pelo sistema. Se você ainda não conhece o trabalho de Amauri, dê uma olhada no vídeo abaixo.

Amauri Falabella e Camerata Guarucordas