O compositor e cantor Amauri Falabella fez ontem um show no teatro Nelson Rodrigues, acompanhado dos violonistas José Ricardo Silva e Rafael Monteiro, e, no final, junto com a Camerata Guarucordas.
A apresentação fez parte do projeto “Concertos Matinais”, que vem, pouco a pouco, ganhando corpo no Nelson Rodrigues, e mais recentemente, passou a ocupar espaço também no Teatro Padre Bento, para sorte da cultura local e alegria dos que curtem música de qualidade.
Foi o que se viu ontem na vila Galvão: um repertório inspirado na natureza e, principalmente, na lua, abrilhantado por cordas magistralmente tocadas.
Amauri é mais um dos milhares de artistas brasileiros injustiçados. Sua música “Brincos”, defendida na ocasião por Lula Barboza, conquistou o primeiro lugar na votação popular, mas não logrou sequer uma quinta colocação entre os jurados, no último festival de música popular que a TV Globo realizou.
Foi no ano 2000. A Globo visivelmente não gostou do resultado, porque fez de conta que o festival não havia sido feito por ela: não repercutiu a final, não levou nenhum dos ganhadores a qualquer um de seus programas e nunca mais tocou no assunto. Se tivesse pretendido fazer justiça, teria dado um jeito de levar Amauri ao estrelato, quem sabe colocando uma de suas composições em alguma novela.
Lula Barboza é outro nome de talento, desprezado pela mídia, porque não faz parte dos esquemas das gravadoras.
Amauri Falabella se vira como pode, fazendo um show aqui, outro acolá, vendendo seus CDs de um em um, dando aulas de violão para sobreviver. Apaixonou-se por viola e se autodenomina “violeiro urbano”, título de uma de suas canções.
Ele poderia brilhar mais se cuidasse um pouco melhor de sua performance no palco, se se preocupasse em fazer algo em termos de marketing; enfim, se administrasse profissionalmente sua carreira.
Como fui seu aluno de violão, por alguns meses na década de 80 (um dos piores que ele já teve, sem dúvida), e sou seu amigo desde antes disso, atrevo-me a dar esses palpites. Sabe-se que a diferença entre conselho e palpite é que o primeiro é solicitado; o segundo, oferecido.
Gosto muito do que Amauri compõe, da forma como canta e, mas ainda, dos arranjos que faz. Quisera eu ter um décimo de sua destreza ao violão. Torço por ele e lamento não poder fazer muito para que ele alcance sucesso. Porque gente como ele merece muito mais do que tem obtido. Quem conhece geralmente gosta, mas a pouca gente é dado o direito de conhecê-lo, porque os esquemas que permeiam essa atividade estão pra lá de apodrecidos. A internet é uma válvula de escape que permite fugir dos bloqueios impostos pelo sistema. Se você ainda não conhece o trabalho de Amauri, dê uma olhada no vídeo abaixo.
Amauri Falabella e Camerata Guarucordas