Começou a pornochanchada que atende pelo nome de horário eleitoral gratuito. Em vez de utilizar esse espaço nobre da rede nacional de rádio e televisão para debate dos grandes temas nacionais, que embasaria a opinião pública para discernir sobre o que é melhor para o País, o que se vê é um desfile de fotos e cenas de pessoas que parecem debochar do povo brasileiro, como a dizer que somos todos idiotas e não temos a menor capacidade de perceber o quanto eles não passam de espertalhões e vendilhões da Pátria.
Afinal, que diferença há entre um deputado corrupto, que vota em troca de favores de empreiteiras e empresas de outros ramos que o financiaram, e um artista popular que quer se valer dessa suposta empatia de que desfruta perante o povo para amealhar votos e cavar uma boquinha na Assembléia Legislativa ou no Congresso Nacional?
É um escárnio com a Nação, com as instituições e com a Lei, um comediante como o tal Tiririca, dizer que não tem noção do que faz um deputado federal, mas que votem nele, que depois ele conta. Se algum tribunal eleitoral tiver o mínimo de autoridade, precisa cassar essa candidatura ou, no mínimo, impedir que esse cidadão continue a dizer tais asneiras. Usando com ironia o espaço que seu partido, o PR, lhe concede privilegiadamente, esse cidadão, se é quem assim merece ser chamado, afirma que “pior do que tá não fica”. Fica, sim, infelizmente, se gente como ele chegar ao Congresso, o que eu não duvido nem um pouco.
Não bastasse ele e outros tão vazios quanto, estão aí pedindo votos algumas mulheres cujos únicos atributos são peitos e nádegas turbinados com silicone. Parecem querer dar razão à piada que recomenda votar em determinadas profissionais porque não deu certo eleger os filhos delas.
Diante desse quadro lastimável, resta-nos infinita paciência para tentar separar o joio do trigo e tentar identificar, no meio dessa pasmaceira geral, as raríssimas exceções que ainda merecem nosso voto.
Embora seja ilusão pensar que a maioria do povo agirá assim, nunca é demais dizer que o critério para escolher os parlamentares que irão nos representar jamais poderá ser o quanto fez de propaganda, se a campanha é bonita, nem mesmo as propostas que defende, pois eles sabem perfeitamente dizer o que o eleitor espera ouvir. E até nos obrigam a ouvir o que não queremos, com essas musiquinhas chatíssimas, o dia todo, todo dia. O único jeito é analisar o ser humano que pede nosso voto, em sua essência, com base nas atitudes que costuma tomar, no comportamento diante da família, da comunidade, da cidade, do país. Não só no período eleitoral.
Escolhendo com todo cuidado, é fácil errar. Porém, se nos deixarmos levar por outros fatores ou trocarmos nosso voto por alguma coisa, o erro é inevitável. E aí quem paga somos nós mesmos, o povo. Eles são nossos empregados, nós os sustentamos.
Quem nós contratamos para trabalhar em nossa casa? Portanto, todo cuidado é pouco. Afinal, o Brasil é a nossa casa.
(texto do editorial da revista Weekend de 20/8/2010)