Estava almoçando e a TV do restaurante ligada, transmitindo o horário eleitoral gratuito, no qual apareceram desfilando retratos e vídeos de candidatos a deputado federal.
Chamou-me a atenção que o PMDB está coligado com o PT no plano federal, mas, como seu cacique em nível estadual, Orestes Quércia, sentiu-se traído pelo PT no acordo que fez com os petistas nas eleições de 2002, desta vez o partido fechou com os tucanos no Estado de São Paulo.
Como não pode fazer propaganda de Serra no espaço do PMDB, Quércia faz aparecer ao lado de cada candidato proporcional os nomes de Alckmin para governador, o de Aloysio Nunes e o do próprio Quércia para senador.
Engraçado é que Quércia e Serra não se bicavam no passado e agora estão unidos.
Partido que também ficou em uma saia justa foi o PTB, que apóia Dilma no plano federal e Alckmin no estadual. Sem saber o que fazer quanto a esse imbroglio, o PTB limitou-se a pôr o nome de Tuma para o Senado como pano de fundo para o desfile dos candidatos a deputado federal.
Um cliente do restaurante, vendo as caras estranhas e até absurdas que pretendem uma boquinha no Congresso, criticou candidatas que se lançaram tendo como plataforma de governo apenas os próprios corpos curvilíneos. Segundo ele, há várias prostitutas candidatas neste ano.
Inevitável que alguém ao lado retrucasse: “O jeito é votar nelas, porque votar nos filhos delas não resolveu”.
Na politica, assim como tudo na vida, as alianças são necessárias. No passado, os membros do hoje PSDB eram do PMDB e juntos, fizeram muito pelo país. Em um determinado momento, seguiram por rumos separados, em função das ideologias que permeavam os partidos, mas nunca foram inimigos mortais. Lutaram em lados opostos, agrediram-se e até disputaram entre posições porque o jogo da política é assim: que vença o melhor, mas isso nao significa que são inimigos.