Eu estava dentro do carro, estacionado em uma rua do centro de Guarulhos, em um dia de semana à tarde, quando ouvi uma voz enérgica, em altos brados, vinda de um veículo que acabara de estacionar no outro lado da rua.
Uma senhora, de uns 60 anos, que me pareceu ser mãe do motorista, abrira a porta para descer, mas como havia outros carros trafegando, o rapaz gritou para ela: “Fecha logo essa porra!”.
Fiquei chocado com a atitude ríspida do moço e, mais ainda, quando vi que no banco de trás havia um homem idoso, com dificuldade para descer do carro de duas portas. Quem ajudou o senhor? A mulher. O rapaz ficou resmungando na calçada.
Lentamente, o casal entrou em uma clínica médica, o homem mancando, enquanto o mal-educado lá ficou, tomando conta de seu automóvel e fazendo cara de poucos amigos.
Fiquei me corroendo de vontade de tirar satisfações com o moço, mas como já tomei não sei quantas invertidas por comprar brigas que não eram minhas, guardei silêncio e, então, resolvi relatar o ocorrido para meus caros internautas, para que muitas pessoas tenham oportunidade de refletir sobre o tratamento que costumamos dispensar aos nossos velhos.
Vejo com alegria como os japoneses e seus descendentes tratam os idosos: têm com eles todo cuidado, toda atenção, todo carinho. Observo como eles os reverenciam quando os acompanham a médicos, laboratórios e hospitais.
Será que os orientais cuidaram melhor de seus filhos quando eram crianças para merecer esse tratamento tão diferenciado? Ou nós, ocidentais, é que somos malcriados e não aprendemos a respeitar os mais velhos? Esquecemo-nos de que todos envelhecemos e é claro que ninguém deseja ser maltratado apenas porque já não é jovem.
Entendo que, por mais que nossos pais e avós possam ter falhado em algum aspecto de nossa educação, devemos ter com eles muito cuidado, pois, afinal de contas, a eles devemos a vida. Mais: certamente fomos responsáveis por muitas noites maldormidas, por muita preocupação com qualquer doençazinha que nos acometia, com nosso desempenho na escola, os problemas de relacionamento com os coleguinhas da vizinhança, ou, já mais crescidos, quando demorávamos a voltar para casa.
E agora, que somos adultos, esquecemos tudo isso? Tratamos os idosos como trastes, inservíveis?
Além do tom indevido, o uso do palavrão ao se dirigir à própria mãe, ou ainda que não fosse, a uma pessoa de mais idade, principalmente mulher, soou-me como uma agressão sem o menor cabimento.
Neste desabafo pela reação contida, concito-os a pensar nesse comportamento e a comentar com seus descendentes, para que nos espelhemos nos orientais e passemos a respeitar mais nossos antepassados, com a paciência e o carinho que eles merecem.
Lógico que deve haver jovenzinhos descendentes de orientais que também não tratam bem seus ascendentes, bem como pessoas idosas de todas as nacionalidades que não fazem muito por merecer respeito. Mas são exceções.