Investir em gente dá lucro

2010
07.15

No guia “150 melhores empresas para você trabalhar”, edição conjunta das revistas Exame e Você S/A., de 2009, há uma informação de rodapé, quase imperceptível, que é a essência dessa publicação anual.

Com o subtítulo “Felicidade traz dinheiro”, o guia revela que as 150 empresas selecionadas como as que detêm as melhores práticas no que se refere a recursos humanos têm rentabilidade sobre o patrimônio líquido bem maior do que o obtido pela médias das 500 empresas listadas na edição “Maiores e Melhores” da própria Exame.

E não se trata de uma sutil diferença: enquanto as 150 conseguem significativos 12,7% sobre o PL, as 500 maiores não passam de 3,5%.

Alguns fatores explicam o sucesso dessas empresas em busca do que é a pedra de toque do mundo corporativo, o lucro. Vejamos:

Enquanto a média salarial no mercado é de R$ 1.379 nas 150 melhores para trabalhar atinge R$ 2.952, uma diferença de 113,95%. A escolaridade dos funcionários do mercado em geral é de 36,66% de ensino fundamental, 46,52% médio e apenas 16,82% com nível superior. Já nas 150 melhores do guia, os que têm só ensino fundamental não passam de 4,81%; 42,85% têm nível médio e nada menos de 52,34% contam com formação superior.

A rotatividade de mão-de-obra também é muito menor nas empresas melhores para trabalhar: 23,5% em 2008, ante 47,8% no mercado. Isso faz com que elas tenham um contingente maior de colaboradores com mais tempo de casa. No item acima de dez anos, chegam a 20,31% enquanto no mercado a média é de 9%. Levando-se em conta quanto custa treinar pessoal, taxas menores de turnover representam redução de despesas.

Quanto à idade, a diferença não é muito acentuada: nas 150 melhores empresas para trabalhar, predomina a faixa de 30 a 39 anos, seguida da de 25 a 29 anos. No mercado, predominam colaboradores de 30 a 49 anos. O percentual de mulheres é maior nas 150 empresas do que no mercado: 38,09% a 33,02%.

A análise da revista é de que as empresas que investem mais nas políticas de pessoal formam um time de elite no cenário econômico, porque são transparentes nas informações, e, além de pagar melhor, retêm os funcionários por mais tempo, têm um público interno de maior grau de instrução e mais diversificado.

E, como consequência, obtêm maior comprometimento das equipes e que isso se dá porque as pessoas se sentem mais felizes ao trabalhar para essas empresas.

Essa felicidade acaba se traduzindo em melhores resultados no balanço das empresas, por uma série de razões. É natural que pessoas felizes atendam melhor a clientela, transmitam boa imagem da empresa e participem do esforço de conquistar rentabilidade. Mesmo nos momentos difíceis, empresas onde é saudável o clima de trabalho conseguem contar com mais apoio dos funcionários.

Investir em gente, portanto, dá lucro.

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