Archive for junho, 2010

Meu compositor predileto


2010
06.19
Como eu disse nos dois posts anteriores, classifico os compositores brasileiros como de indiscutível qualidade. Chico Buarque, por exemplo, é estupendo, criativo, eclético. Gosto muito também de algumas composições do Roberto, Guilherme Arantes, Gonzaguinha, Ivan Lins. São ótimos. Mas, tenho predileção por Taiguara, pela poesia de suas letras, carregadas de verdades e emoções.
Quando ele retornou do exílio, se não me engano em 1986, saiu um disco, o “Canções de amor e liberdade”, belíssimo. Não sei que fim deu aquele LP, que tinha e guardava com muito carinho. Se alguém tiver e eu tiver a oportunidade de gravar, seria ótimo, pois não encontrei esse conteúdo na internet.
Naquele período, vivi um momento muito marcante. Fui ao show “Treze outubros”, que ele apresentou no Palácio das Convenções do Anhembi. O título de refere ao tempo em que ele ficou exilado. Foram vários dias de shows e na internet aparecem alguns trechos. No dia em que eu fui, ao final ele repetiu “Universo do teu corpo”, substituindo a expressão “Eu desisto, não existe essa manhã que eu perseguia” por “Eu resisto, já existe a manhã que eu perseguia”. O público foi saindo das cadeiras e se aglomerando perto do palco e Taiguara ia pegando rapidamente na mão de cada fã. Quando eu consegui chegar próximo a ele, estiquei a mão direita e ele ficou segurando-a, durante o refrão. Foi muito emocionante.
Pena que tenha morrido tão novo, privando-nos de novas criações. Resta-nos o consolo do seu legado musical.
Destaco aqui quatro letras suas, as quais, embora compostas em épocas e situações diferentes, parecem ter sido feitas para serem encadeadas umas às outras. Acompanhe e veja se concorda com essa percepção.

Hoje

Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero, a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo…

Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Cores, viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos,

Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas…
Na solidão das noites frias por você.

Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo, acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte

Sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim como eu te amei.

Viagem

 Vai! Abandona a morte em vida em que hoje estás
Há um lugar onde essa angustia se desfaz
E o veneno e a solidão mudam de cor
Vai indo amor
Vai recupera a paz perdida e as ilusões,
não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
Vai! Faz de um corpo de mulher estrada e sol
Te faz amante, faz meu peito errante
Acreditar que amanheceu
Vai! Corpo inteiro mergulhar no teu amor
Nesse momento vai ser teu momento
O mundo inteiro vai ser teu, teu, teu

Berço De Marcela

 Um dia, Marcela se achou e se deu
Seu corpo sem vida, me amou e foi meu
Das dores vencidas nasceu a mulher
Que sabe porque, que se abre e se vê
E hoje me faz viver
E hoje me faz saber

Que os homens, por pressa, por medo de amar
Passaram por ela sem nada encontrar
Levaram consigo o engano de quem não viu
Nem sabe do que fugiu
Da estrada, da estrela
Ficaram comigo seus medos se dando aos meus
No berço onde renasceu Marcela.

 Momento do Amor

 Neném, eu percebi quando te amei
Teu medo foi maior que o teu amor, neném
Neném, abre o teu peito e diz pra mim
Tudo que te faz temer assim

Neném, dor que se guarda fere mais
Faz medo, desespera e esfria o amor, neném
Meu bem, faz no leito um sol pra nós
Faz da tua treva o amanhecer

Vida é só uma estrada e vai levar
Aonde o teu amor puder
Vida é teu momento de entregar
É dentro de você, mulher

Neném, agora sim num corpo só
Os nossos corpos sós vão se encontrar no amor
Amor, agora sim eu vou te amar
Mais do que te amar, vou te saber

Assim, meu colo acolhe a tua mão
E colhe em tua mão o tato bom do amor
Assim, meu braço estreita o nosso amor
Deita sobre o teu o meu viver

Quero, e esse é o momento de alcançar
Vir junto e mergulhar no amor
Quero, deixar no mundo do teu ser
No fundo do teu ser, o amor
Comigo agora, vem, vem, vem, neném

Um trecho de “Versos Roubados”


2010
06.19

Uma homenagem à criatividade dos compositores brasileiros e à sua capacidade de transmitir sentimentos.

Neste trecho do monólogo “Versos Roubados”, estão composições de Chico Buarque e Vinícius de Moraes, Roberto e Erasmo Carlos, Renato Russo, Guilherme Arantes, Caetano Veloso e Oswaldo Montenegro.

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto: pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
Aí, ela se fez bonita, como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar
Então os dois deram-se os braços, como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E aí, dançaram tanta dança, que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade, que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos,
Como não se ouviram mais
E o mundo compreendeu, e o dia amanheceu, em paz.

Olha, você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim. A cabeça cheia de problemas, não importa: eu gosto mesmo assim
Tem uns olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui,
Me traz meu passado, as lembranças,
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso crer
Eu, que sempre fui tão inconstante,
Te juro, meu amor, agora é pra valer:
Vem viver comigo onde eu for
Seja minha amante, minha amada, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor
Mas, tira suas mãos de mim:
Eu não pertenço a você
Quero estar sozinho
E não sei aonde vou
Se houver dúvidas, acho que isso não é amor
Essa mania de possuir
Mata em nome do amor
Fere o espaço mágico da criação
Sentimento à flor da pele
Essa vontade de engolir o mundo,
Ter tudo nas mãos
Pode trazer outra desilusão
Coração que não descansa
Eu preciso de você do jeito que é
Sem te aprisionar, eu a quero inteira
Quando a gente gosta mesmo, não quer mudar a pessoa.
Quantos vivem de mentira, dando a impressão
Da sua certeza verdadeira…
Quando a gente gosta mesmo, não tapa o sol.
Então entenda: este é o meu jeito!
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim, é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo-te aprender no total
Do querer do querer que há em mim
Enquanto você se esforça pra ser uma pessoa normal
E fazer tudo igual,
eu do meu lado aprendendo a ser louco,
Maluco total.
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela mesma velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu, nem sei quem sou.
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também. “

A força de uma letra de música


2010
06.18

Sou suspeito para falar de música, por ser um notório apaixonado por música, embora não tenha me saído bem nas tentativas que fiz de aprender a tocar um instrumento musical, o violão.

Pode não ter sido incapacidade efetiva de aprender, mas de disciplina para treinar entre uma aula e outra. Aí, o que haveria de ser um relaxamento acabava sendo motivo de tensão e de insatisfação comigo mesmo.

Mas, quero me referir às letras das músicas. Quando me dispus a escrever o monólogo ao qual dei o nome de “Versos Roubados”, eu o fiz incentivado por ver um trabalho muito bonito, elaborado pelo amigo e colega de profissão Castelo Hanssen. Ele juntou um poema dele mesmo, um de Manoel Bandeira e uma letra de Belchior, formando a performance “Amor e desamor em prosa e verso”. Ao ouvi-lo declamando “Divina Comédia Humana”, dei-me conta de que nunca havia prestado atenção à letra do compositor, que por sinal eu sempre admirei.

Pus-me a pensar o quanto isso deveria acontecer com muita gente, pois cantamos a música sem atentar para a riqueza da mensagem que transmite.

Comecei, então, a colecionar letras de que eu gostava e a anotar coincidências entre uma e outra composição, muitas vezes entre autores de estilos e épocas diferentes. Por exemplo, “Pais e Filhos”, de Renato Russo, e “Romaria”, Renato Teixeira.

Fui alinhavando frases de algumas, trechos de outras, juntando com letras completas ou quase, e nasceu a performance, cujo conteúdo é a soma de quase 50 composições, de 37 compositores brasileiros.

Apresentei “Versos Roubados” na Biblioteca Monteiro Lobato, no Teatro Nelson Rodrigues, em salas de aula da Universidade Guarulhos, na FIG, na Torricelli, no antigo Colégio Elite (onde é hoje a ESPA), no Mater Amabilis, no Anglo. Mostrei a grupos menores, em empresas, grêmios, em abertura de seminários, enfim, perdi a conta de quantas vezes já apresentei esse trabalho.

Preparar, ensaiar, cuidar de detalhes técnicos, dá um cansaço impressionante, mas, em contrapartida, uma injeção de ânimo extraordinária, uma sensação de expiação de tristezas e mágoas, uma espécie de alívio.

Muitas pessoas assistiram repetidas vezes e ainda me pedem para voltar a fazer. Estou pensando seriamente em retomar esse trabalho, com alguns acréscimos e, talvez, pequenas alterações. Preciso encontrar tempo para isso, mas estou muito motivado a fazê-lo.

Há alguns dias, no encerramento do encontro mensal da Escola de Pais, da qual participo no Colégio Parthenon, declamei uma das letras mais marcantes do monólogo, letra de Chico Buarque de Holanda para a música norte-americana de Darion e Leigh, “The Impossible Dream”, que foi gravada no Brasil, em português, por Maria Betânia, em magistral interpretação.

“Sonho Impossível” fala de algo quase inalcançável com que se pode sonhar, e gosto muito dessa letra porque entendo que, em tudo que formos fazer, é preciso colocar como ingrediente o sonho. Não importa se será difícil realizá-lo, quantos obstáculos terão de ser transpostos para tal. Estabelecer uma meta, um ponto a ser atingido e fazer de tudo para chegar lá. Se não der para chegar, paciência, mas nunca podemos perder a capacidade de sonhar, de pensar grande, de imaginar o que ninguém consegue conceber como razoável. E ir atrás do sonho, custe o que custar.

Leia e pense o quanto de verdade uma letra de música carrega. Veja a força que tem:

Composição: Joe Darion, Mitch Leigh (versão em português de Chico Buarque)

Sonhar
Mas um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei de vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for,
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Internauta esclarece que criticara advogada


2010
06.17

Tendo em vista que o texto do comentário postado pela internauta Patrícia Pessanha, no dia 15, deixava dúvidas se ela se referia ao artigo da advogada Márcia Regina ou ao comentário da internauta Larah, escrevi a ela, pedindo para esclarecer. Recebi a resposta, cujo conteúdo reproduzo, porque o objetivo do blog é exatamente o de incentivar o debate acerca de temas polêmicos como esse. Ao final do texto de Patrícia Pessanha, está a réplica da advogada Márcia Regina.

Valdir Carleto

“Meu comentário refere-se ao exagero da advogada quando se refere ao animal.

 Sou totalmente a favor da focinheira, porque tenho um animal dessa raça e mesmo ele sendo dócil e adestrado, faço questão de usar. E também acho que uso obrigatório da focinheira deveria ser para pitbulls, rottweillers, filas, dobermans, enfim, para todos os animais de porte médio a grande. 

O que não está certo, é generalizar apontando esses animais como “monstros”. Isso também é uma forma de discriminação. Nos anos 80, os cachorros da raça Dobermann eram considerados “os terrores” da vizinhança, e algumas pessoas até afirmavam que eles sofriam de amnésia.

 Enfim, acho que todos os animais irracionais sofrem algum tipo de distúrbio. Não se pode apontar com tanta agressividade.”

Réplica de Márcia Regina:

Patrícia, tenho a dizer que em nenhum momento usei a expressão “monstro” como você mencionou, sendo que todas as informações e comentários são confirmados através de estudos científicos e estatísticas, onde demonstram milhares de mortes e mutilações provocadas por essa raça de animal. De qualquer maneira, aceito sua crítica e compreendo sua maneira de pensar. Acredito na verdadeira democracia e penso que embora não concorde com o seu raciocínio, defendo até a morte o seu direito em dizê-lo.

Marcia Regina

Um pitbull incomoda muita gente


2010
06.15

O título é propositalmente copiado de uma antiga e repetitiva musiquinha que dizia que um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais, e daí por diante.

Publiquei aqui no blog um artigo de autoria da advogada
Márcia Regina, no qual ela dá dicas de como se comportar diante de uma possível agressão por um pitbull.

Ela escreveu motivada por uma cena que presenciou no Jardim Maia, quando um cão pitbull derrubou um senhor. De dentro do carro, ela incentivou a vítima a denunciar que o cachorro estava sem focinheira, pois uma lei estadual determina que sejam conduzidos com esse apetrecho, tendo em vista os diversos casos relatados de agressões feitas por cães dessa raça. O dono do cão colocou a cabeça do animal na janela do carro dela, recomendando que ela cuidasse de sua própria vida, pois ele poderia mandar que o cão a atacasse. Como foi delegada de Polícia, a advogada viu-se na obrigação de ir à delegacia e lavrar um Boletim de Ocorrência. Dessa forma, se um pitbull vier a ferir alguém nas imediações do local, já haverá registro de que há um comportamento indevido por parte do dono do animal.

O artigo provocou diversos comentários, todos favoráveis à advogada, com exceção de um, segundo o qual todos os cães seriam basicamente iguais, dependendo de como sejam tratados.

Por coincidência, chega de Marília (SP) a notícia de uma menina de quatro anos atacada pelo cão pitbull do vizinho. Deu no G1:

“Uma menina de 4 anos foi atacada por um cachorro da raça pit bull em Marília, a 435 km de São Paulo. Ela brincava a alguns metros de sua casa com outras crianças quando o cachorro do vizinho escapou no domingo (13). A criança está internada no Hospital Materno Infantil com ferimentos no rosto, tórax, braço e na cabeça.
O dono do cão contou à polícia que viu o animal escapar pelo portão enquanto guardava o carro, mas não se preocupou, pois esperava que o cachorro voltasse sozinho pra casa.
Ele será investigado pela Polícia Civil, que vai definir se houve omissão na guarda do cão. Se for constatada a negligência, o dono deve ser indiciado por lesão corporal.”

É bem provável que a leitora que se identifica como Larah tenha razão quanto a dizer que o que diferencia os cães seja a forma como são criados e tratados.

Em geral, os animais são parecidos com seus donos. E, pelo que se tem visto, boa parte dos que escolhem criar pitbulls o fazem exatamente porque querem ter cães que ponham medo nas pessoas. E, se agem assim, é porque são agressivos, antissociais, pouco se importam com o que irá acontecer com as possíveis vítimas, sejam elas bandidos, um idoso ou uma criança.

Toda generalização é perigosa, mas quem já ouviu falar de um cão labrador que tenha ferido alguém? É uma raça de grande porte, que bota medo pelo tamanho, mas que costuma ser dócil. Não por acaso, é escolhida por casais para que faça companhia a crianças.

Enfim, quem quiser ter pitbull deve ter todo o direito, mas deve cumprir a lei, cuidando corretamente do animal quando estiver na rua ou em contato com pessoas que nada têm a ver com sua preferência.

O espaço do blog continua aberto para quem quiser discordar. Promover o debate é a principal função deste blog.

Torcendo pelo Brasil na Copa


2010
06.10

Mesmo quem não dá muita bola para futebol acaba se contaminando pelo clima de euforia que toma conta da população brasileira nesta época.

Bandeiras tremulando nos estabelecimentos comerciais, nas fachadas das casas, na entrada dos condomínios, muros pintados, paredes decoradas, frases escritas no asfalto.

O brasileiro não costuma ser muito ligado nessas coisas de patriotismo, não aprendeu a ter amor pela Pátria como acontece em outros países, talvez porque confunda a Nação com os políticos que a dirigem. Afinal, desde os primeiros navegadores que aqui desembarcaram, sempre houve aqueles que fizeram todo o possível para extrair o que pudessem do país em benefício próprio.

A cada Copa do Mundo, dá a impressão de que o povo mudou de postura e resolveu assumir uma conduta patriótica, de apego às cores nacionais, mesmo não botando muita fé na Seleção escalada pelo técnico Dunga.

Tomara que essa torcida toda, que faz pôr para fora gritos que saem lá do fundo do coração, permaneça depois que a Copa terminar, seja nosso ou não o título.

Que os brasileiros aprendam que a Nação é muito maior e mais importante que os efêmeros ocupantes do poder. E que, assim, tenham orgulho do país em que vivem, reconheçam as riquezas todas que temos, que vão muito além de valores materiais.

Está em tempo de descobrirmos o povo valoroso que somos e de unirmos nossos potenciais e qualidades para construir uma Nação mais justa, progressista, verdadeira. Um país em que cada criança possa ter vontade de ir à escola a cada dia, onde cada adolescente tenha prazer de aprender cada vez mais, obter uma profissão, respeitar-se como ser humano e como cidadão. Uma Nação é feita também de sonhos, mas que sejam embasados em perspectivas reais de consolidação do povo como dono absoluto dessa Nação, sem se deixar levar pelo discurso vazio de governantes astutos de todos os matizes.

Vamos torcer pelo time que nos representa na África do Sul. Eles certamente farão o melhor que puderem para não decepcionar a torcida. Porém, independente do resultado, vamos torcer pelo Brasil, fazendo, cada um de nós, o que estiver ao nosso alcance para construirmos a Nação que todos desejamos e que, infelizmente, ainda nos parece tão distante de ver concretizada.

Vanderley Nunes Bastos, o Industrial do Ano


2010
06.09

Considero muito justa a escolha do diretor gerla da Filtertek, como Industrial do Ano, pelo Ciesp Guarulhos.
Se eu tivesse votado, ficaria dividido, porque a empresária Loredana Piovesan Glasser também era uma das finalistas e eu nutro por ela grande admiração. Ela herdou inesperadamente a administração da fábrica de blocos de concreto Glasser após a morte do marido. Junto com as filhas, teve de superar imensas dificuldades e conseguiu elevar a empresa a patamares invejáveis, obtendo consecutivos prêmios pela qualidade dos produtos e conquistando importantes mercados, além de participar de várias iniciativas de cunho social e comunitário.

Faço essa ressalva, mas não tiro de forma alguma os méritos de Bastos, tanto por sua trajetória especificamente empresarial, quanto por seu engajamento em causas sociais.

Eu o conheci quando ele assumiu a presidência do Centro de Desenvolvimento Comunitário Julian Haranczyk, no Parque Uirapuru. Ele disse que se sentia motivado a atuar em prol da ACM como forma de retribuir o que a instituição fizera por ela na infância e juventude. Poucos têm essa consciência de que devem ser gratos pelas oportunidades que tiveram e, mais do que isso, transformar essa gratidão em ação efetiva.

Vanderley também se destaca como rotariano. Ele foi o principal ou um dos principais articuladores do EcoPark, projeto que consiste em implantar na área municipal, ocupada pela Associação de Rotarianos na vila Tijuco, em um bosque com área para caminhada. Centenas de árvores estão sendo plantadas ali, visando colocar um pouco mais de verde na cinzenta região central da cidade.

A forma como Vanderley vê as relações de trabalho também lhe soma pontos. Ele considera que é preciso pôr amor em tudo o que se faz, e que a melhor forma de inspirar isso nas pessoas é demonstrar o quanto elas são importantes no processo de produção e desenvolvimento das empresas.

Ações efetivas de proteção e educação ambiental colocadas em prática na Filtertek são outro fator a acrescentar à extensa folha de serviços desse jovem executivo à cidade e ao planeta.

Precisamos que muitos outros empresários assumam essa postura, que vai muito além dos muros das empresas que dirigem. Responsabilidade social não pode ser apenas um jargão a fazer parte dos quadros afixados nas paredes, nos quais se explicitam a missão, a visão e os valores das empresas. Vanderley Nunes Bastos fez direitinho essa lição de casa e, por isso, merece o título de Industrial do Ano.

O retorno fechado na Paulo Faccini


2010
06.08

Para a Secretaria de Transportes e Trânsito, poderia parecer algo corriqueiro o fechamento de um retorno em uma avenida da cidade. Porém, o que foi posto em prática nesta segunda-feira, nas proximidades da churrascaria Dallas, está sendo um pesadelo para a STT.

Com o avanço das obras do viaduto Cidade de Guarulhos, foi necessário fechar o retorno que havia naquele trecho, mas, como são poucas as alternativas, o fechamento acabou virando um problema e tanto.

Comunicado enviado pela Assessoria de Imprensa sugere que o motorista que estiver na pista sentido Dutra da Paulo Faccini e precisar trafegar pelo lado oposto deve seguir pela rua Francisco de Paula Santana até a avenida Tancredo Neves, entrar à esquerda até passar o Poupatempo e fazer à conversão à esquerda na rua Kida, chegando à Monteiro Lobato. Dali, retornar até chegar à Paulo Faccini. Ufa! Isso é quase dar a volta ao mundo para dizer bom dia ao vizinho.

Entendo que seria muito mais prático, na confluência da Paulo Faccini, entrar à direita na Monteiro Lobato, seguir até a rua Presidente Prudente, percorrê-la até o fim e descer a rua Diogo Farias, que agora está menos congestionada, graças ao corte efetuado no canteiro da Paulo Faccini, em frente à Droga Raia. Também é uma volta e tanto.

Uma alternativa possível e não muito difícil para a Prefeitura seria abrir um novo retorno, ainda que provisório, pouco antes do que foi fechado. Ou inverter o retorno existente em frente ao Colégio Ético, já que os motoristas que o praticam teriam a opção de retornar pelas ruas Guaraciaba e Silvio Barbosa.

O fato de viaduto não passar sobre a avenida Monteiro Lobato já foi um erro terrível de planejamento. Qualquer problema que ocorra durante a obra será sempre motivo de milhares de queixas, porque boa parte dos munícipes não se conforma com o projeto do viaduto.

Se não é possível corrigir o mal pela raiz, a Prefeitura – seja lá quais forem os seus órgãos os responsáveis – deveria procurar minimizar os transtornos para os motoristas, ao invés de criar novos embaraços.

Até parece que tem gente da oposição fazendo projetos nas gestões petistas.

Pit Bull na rua, só com focinheira


2010
06.07

Recebi da advogada Márcia Regina, ex-delegada de Polícia, artigo abordando a questão dos cães da raça Pit Bull cujos donos insistem em transitar com eles pelas ruas sem cumprir a lei que obriga o uso de focinheira. Ela presenciou cena de um cão sem focinheira derrubando um senhor na avenida Paulo Faccini. do carro, reclamou com o jovem condutor do animal, que reagiu colocando a cabeça do cão na janela do automóvel, ameaçando a advogada. Inconformada, ela foi ao distrito policial e registrou boletim de ocorrência. Pesquisou a respeito das normas que regulam o assunto e escreveu o artigo, que aqui reproduzo. Se alguém quiser comentar, contrapor a opinião dela, esteja à vontade.

USO DE FOCINHEIRA É LEI

As estatísticas comprovam que na última década, milhares de ataques de cães da raça pit bull, tem levado pessoas à morte ou deixado as mesmas mutiladas.

Olha só, o pit bull (American Pit Bull Terrier), surgiu por meio de diferentes cruzamentos para ser animal de briga nas rinhas de cachorro do século XVIII. Tem porte atlético e mede cerca de 40 centímetros de altura. Sua boca abre de uma orelha à outra, o que permite o encaixe perfeito dos dentes. Uma mordida dele é capaz de exercer uma pressão que chega a atingir 200 quilos. Isso corresponde a encostar uma dentadura afiada no braço e depois empilhar sobre ela quatro sacos cheios de cimento. Um dos relatos de pessoas que ajudaram no resgate de vítimas destas agressões é a dificuldade de separar a vítima de seu agressor (o pit bull).

A Lei Estadual nº 11.531/2003 proíbe este tipo de conduta e obriga o proprietário a conduzir seus cães em vias públicas, logradouros ou locais de acesso público a utilizarem guia curta de condução, enforcador e focinheira. Esta lei foi regulamentada pelo Decreto nº 48.533/2004. Além de denúncia à Delegacia de Polícia, a lei prevê denúncia à vigilância Sanitária, onde poderá ser arbitrada pena de multa.

A conduta dos proprietários além de criminosa (omissão de cautela na guarda de animais) é também covarde, pois um animal desse é considerado uma arma na mão de quem não tem responsabilidade.

A raça pit bull é tão perigosa e imprevisível que não se permitiu que a mesma pudesse ser cadastrada na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), que é a confederação que cuida de regras e normas para criação, registro, emissão de pedigrees e exibição de raças de cães no Brasil, filiada à Fédération Cynologique Internationale. Congrega as federações estaduais e os Kennel Clubes, que são mais ou menos noventa associações em capitais e diversos municípios no Brasil.

As estatísticas também demonstram que as vítimas de pit bulls são crianças, idosos e os próprios donos, que na maioria das vezes, são atacados pela primeira vez. Por isso é comum se ouvir “puxa, ele era tão mansinho, nunca tinha atacado ninguém”.

Para o pit bull sempre tem uma primeira vez e a próxima vítima pode ser você ou alguém que você ama.

Fico a pensar, por qual razão não se tem notícia de que um pit bull atacou um bandido ou um assassino?

Caso algum dono irresponsável largou o bicho solto pela cidade ou até mesmo esteja com ele sem a devida focinheira, tome as seguintes precauções: Evite o olho no olho. O animal encara isso como um confronto e pode atacar. Não faça movimentos bruscos ou qualquer coisa que chame a atenção dele. Finja estar numa boa, mas passe longe do animal. Se tiver de passar por ele, procure um caminho mais distante, do outro lado da calçada, por exemplo. Hora da reza: Quando você repara que, sim, ele vai atacar. Não fuja. Embora esse seja o primeiro reflexo, não funciona. O pit bull é mais ágil que você e pula alto. Portanto, nada de escalar a árvore mais próxima. Cruze os braços na frente do peito para proteger o pescoço, parte mais visada num ataque, e o tronco, onde estão órgãos vitais. Se ele morder só a sua mão, é lucro.

O bicho pegou. Já era, o ataque começou. Não tente bater no animal. Pit bulls foram criados para briga, e uma de suas características é a alta resistência à dor. Bater nele não vai feri-lo nem afastá-lo, mas talvez o deixe mais irritado. Mantenha-se em pé e grite por ajuda.

Cair no chão é perigoso, porque sua cabeça fica mais vulnerável ao ataque. E você vai precisar de ajuda para se livrar da mordida. Não deixe a pessoa que for ajudá-lo puxar o animal pelo rabo ou qualquer outra parte do corpo. O máximo que ela pode conseguir é ser atacada também. O que não o ajuda em nada.

Se alguém chegar para ajudá-lo, peça que procure alguma substância irritante para jogar na cara do bicho, para assustá-lo. Um extintor de incêndio, álcool, gasolina ou até mesmo água fria. Se você tiver sangue-frio e pouco a perder, pode tentar enfiar os dedos nos olhos do cão. A área é sensível e o susto será suficiente para afastá-lo. Mas, cuidado: se não for certeiro, ele pode abrir a boca e lhe dar outra mordida.

Dia da Imprensa é 1º de junho e não 10 de setembro


2010
06.01

Foi por um ato do presidente Getúlio Vargas que 10 de setembro era considerado Dia da Imprensa. Aludia à Gazeta do Rio de Janeiro, considerado o primeiro jornal a circular no país. Porém, esse jornal, editado pelo frei Tibúrcio José da Rocha, era nada mais nada menos do que o diário oficial da família real, que chegara ao Brasil praticamente fugida de Portugal.

Pouco antes do 10 de setembro de 1808, no entanto, já circulava – clandestinamente, é bem verdade – o Correio Braziliense, que o brasileiro Hipólito José da Costa Pereira editava em Londres.

O que é mais justo, afinal de contas, comemorar o “diário oficial da corte” ou um jornal que continha informações, notas científicas e debatia os fatos que não interessavam ao poder?

Há também quem questione que antes da Gazeta Braziliense outros teriam editado órgãos de imprensa no Brasil. O jornalista Carlos Alves Muller cita Tavares Bastos, Antônio Isidoro da Fonseca, primeiro tipógrafo a imprimir no Brasil (1746); ou João Soares Lisboa, editor do Correio do Rio de Janeiro. Esses três posicionavam-se contra a independência do Brasil. Não há precisão sobre as datas em que teriam praticado jornalismo no país.

A consagração do 1º de junho como Dia da Imprensa deveu-se a uma campanha empreendida pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa, jornalista Barbosa Lima Sobrinho, que culminou com um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Polêmicas à parte quanto à suposta anterioridade de outras publicações, fiquemos com o registro do Correio Braziliense, mais merecedor do que a Gazeta do Rio de Janeiro, sem dúvida.

Imagine o amigo leitor/internauta se o Brasil pudesse contar apenas com jornais editados pelos governos.

Quantas maracutaias denunciadas pela imprensa brasileira permaneceriam desconhecidas do grande público!!

Se com a constante vigilância da imprensa e com o cada vez mais sofisticado aparato eletrônico os detentores do poder aprontam tantas peraltices, imagine se pudessem se sentir ainda mais imunes o que não fariam?

Puxando a brasa para nossa sardinha, arrisco dizer que a imprensa tem dado inestimável contribuição à democracia e às causas do povo brasileiro. Aliás, em todos os países do mundo.

Não quero com isso dizer que entre nós também não há os que praticam suas maracutaias. Gente boa e ruim há em todas as profissões. Ouso dizer, no entanto, que no caso dos jornalistas trata-se de uma minoria. Já quanto à classe política tomara fosse uma minoria!!!