A cada dia, respondo pelo menos umas três vezes a perguntas sobre as eleições deste ano.
Onde quer que eu vá, encontro pessoas conhecidas e invariavelmente o assunto política vem à tona, provavelmente por eu ter me dedicado ao jornalismo político por tantos anos.
Confesso que sinto um certo alívio por não ter de acompanhar par e passo as coisas da política, como eu era obrigado a fazer nos muitos anos em que estive à frente do Jornal Olho Vivo e mesmo depois quando transformado em Diário de Guarulhos, embora aí já houvesse outras pessoas se dedicando a cobrir as sessões da Câmara e eventos do gênero.
Confesso, também, que já não sei o que dizer às pessoas sobre as eleições presidenciais deste ano. Sempre procurei orientar os eleitores que me pedem um comentário que votem com consciência, que analisem o conteúdo do candidato, que jamais votem em troca de algum benefício ou vantagem pessoal.
Este artigo ficará parecendo um confessionário, mas confesso, ainda, que, contrariando meus princípios, já não tenho como escolher um partido para votar, porque eles estão todos muito parecidos. São colchas de retalhos encardidos, carcomidos, apodrecidos.
Quem, afinal, tem ideologia neste país? Será que algum político tem ideologia em algum país?
Há uns meses, quando o ex-senador Roberto Freire veio a Guarulhos, fui ao café da manhã quen o PPS promoveu para recebê-lo. Eu já o entrevistara no passado e existe um mútuo respeito entre mim, jornalista, e ele, político.
Eu disse a ele que lá estava para revê-lo, mas que não confundisse com apoio ao seu partido, porque já me desencantei com todos eles, inclusive com o PPS. Mas que ainda nutro simpatia por ele, Roberto Freire, pela coerência que costuma ter, pela coragem de assumir determinadas posições. Emendei dizendo que talvez continue admirando-o por não conhecê-lo muito bem. Ele riu de minha sinceridade e arrematou dizendo que é bem possível que, se o conhecesse melhor, talvez não o admirasse mais. Pelo menos, ele demonstrou ser democrata: admitiu que tenho motivos para meu desencanto com a política eleitoral.
Para presidente da República, por exemplo, que escolha temos? Quem é menos ruim entre os postulantes?
E o que fazer com nossos dois votos para senador? Já parou para pensar no quadro de candidatos a esse cargo tão importante nesse intrincado sistema de duas câmaras de decisões legislativas?
Inimigos de outrora se dão as mãos, fazem parte da mesma chapa. Membro de um partido coligado ao PT em nível nacional é candidato aliado do PSDB em outro estado. Como é que fica a cabeça do eleitor nessa miscelânea?
Para deputado estadual e federal ainda dá para conhecer os candidatos um pouco mais de perto, saber o que pensam, cobrar comportamento se não andarem na linha. Eu teria até mais de um em quem votar nesses dois cargos. Raramente eu me arrependo dos meus votos para deputado, porque acho que sou pé frio: geralmente quem leva meu voto não é eleito. E aí, não me arrependo!!!
Repudio o voto nulo, rejeito o voto em branco. Mas, que está difícil votar este ano, ah! isso está!