Considerações sobre “Guarulhos de Cara Nova”

2010
05.27

Não resta dúvida de que era mesmo preciso disciplinar a publicidade em Guarulhos, pois como estava não podia continuar.

Há tantas leis e decretos a respeito das posturas que acabam provocando interpretações diversas e, portanto, a fiscalização age de forma diferente em um e outro local, aplicando sanções a uns e permitindo liberalidades a outros.

O decreto publicado em 23/4 no Diário Oficial não acaba com as dúvidas, mas, pelo menos, coloca parâmetros a serem cumpridos.

Os estabelecimentos terão um ano para se enquadrarem nas novas normas, quando a fachadas, placas e painéis que tenham sido licenciados pela Prefeitura. O primeiro momento é mais de orientação do que de fiscalização.

Eu não entendo por que, no entanto, a propaganda em muros, que já foi proibida há dois anos, continua sendo praticada. É difícil punir as empresas que exploram esse tipo de serviço, mas, se agora os estabelecimentos anunciantes podem ser punidos, seria bom que a Prefeitura divulgasse bem isso, para que todos saibam que podem ser multados se usarem esse tipo de publicidade.

Há um aspecto do decreto que merece uma reflexão à parte: a proibição de banners nas vias públicas.

Há alguns anos, quando a Prefeitura começou a remover as placas de empreendimentos imobiliários que eram amarradas em postes nos canteiros das avenidas, os empreendedores passaram a utilizar uma forma criativa de driblar a proibição. Se era proibido afixar as placas, começaram a contratar pessoas segurando os banners nas ruas. A contragosto, as autoridades toleraram a iniciativa.

É evidente que se trata de uma função degradante para as pessoas que trabalham nesse serviço, passando um dia todo segurando uma placa na rua.

Mas é também evidente que, para muitas famílias, essa é a única fonte de renda e que esse expediente tem valido a muita gente o sustento dos filhos. Leve-se em conta, ainda, que geralmente trabalham nesse serviço no fim de semana, o que não impede que estudem ou que trabalhem nos outros dias em atividades diferentes dessas.

Um empresário do ramo comentou comigo -e é bem possível que esteja certo – que há casos em que mãe e dois ou três filhos estão todos nesse serviço e que, se a Prefeitura agir com rigor em relação a essa proibição, as centenas de pessoas que trabalhavam segurando banners buscarão formas alternativas de renda, e muitas delas acabarão sendo envolvidas pela criminalidade, vendendo drogas, assaltando, ou, no mínimo, se prostituindo.

Pode ser interpretado como exagero. Mas é uma questão social a ser levada em conta pelas autoridades.

É uma função improdutiva? É degradante? Chega a dar dó ver essas pessoas sob o sol inclemente ou passando frio? Tudo isso é verdade. Mas, por outro lado, estão trabalhando, defendendo honestamente seu dinheirinho. E cabe uma última pergunta: as faixas que os vereadores afixam nos postes, nos cruzamentos das principais vias da cidade, não poluem muito mais do que os banners que eram segurados por essas pessoas?

2 Responses to “Considerações sobre “Guarulhos de Cara Nova””

  1. parabéns pelo blog Valdir…sou sua fã rs

  2. admin disse:

    Muito obrigado. Quando discordar de algo, opine à vontade.

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