Uma dose de Simancol não faz mal a ninguém

2010
05.26

Relato cena que se repete a cada dia diante dos portões de escolas, geralmente particulares:

Alguns carros estacionam à direita, outros à esquerda, para que as crianças desçam e se dirijam para a aula.

Porém, há sempre os motoristas que teimam em parar na fila do meio, para que seus filhos possam descer exatamente na porta da escola.

Com essa atitude egoísta, provocam uma série de desencadeamentos desagradáveis.

Para começar, estacionam sobre a faixa de pedestres, impedindo que as crianças que desceram corretamente na calçada possam atravessar com segurança.

Enquanto as crianças descem, retiram as maletas ou mochilas, agasalhos e tudo mais, os motoristas que estão chegando e não querem ficar na fila do meio têm de esperar a boa vontade de quem está na frente. Não raro, a mãe ou o pai motorista do carro estacionado sobre a faixa ainda desce para ajeitar a gola da blusa da filha, dar um trato no cabelinho ou nos óculos do filho e não voltam para o volante antes de beijar as crianças, abençoá-las e repetir a ladainha de todas aquelas recomendações.

Seria ótimo agir assim, se não estivesse atrapalhando todos os outros motoristas e as outras crianças, que também merecem ser bem cuidadas, abençoadas, etc., etc.

Pior de tudo isso é que os/as motoristas que agem assim estão passando péssimo exemplo para seus filhos. Essas crianças crescerão aprendendo que tudo podem, que o mundo pode parar para atender seus desejos e devaneios, que não precisam se preocupar com o direito dos outros e que essa história de exercício de cidadania é um discurso vazio de quem não se dá o devido valor.

Não sei se este manifesto será aplaudido ou causará repulsa da maioria dos pais de alunos. Pelo que observo, é uma ínfima minoria que age como relatei, mas o suficiente para causar transtorno a todos. Aos que nunca pararam para pensar que podem estar errados ao agir assim, recomendo uma minuto de reflexão. Tenho certeza de que sua consciência irá lhes dizer: “Se manca, que você não está agradando!”.
Se eu também não estiver agradando com este tipo de opinião, manifeste-se. O espaço sempre estará garantido para o contraditório, como um bom exercício de cidadania.

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