Temos recebido inúmeras manifestações elogiosas em relação às revistas Weekend e RG, que editamos pela Carleto Editorial.
Lançada em outubro de 2009, a revista semanal Weekend é um projeto de meu filho Fábio e, como já disse em algumas entrevistas, de início em relutei em abraçar essa nova empreitada, não por receio de como o produto seria aceito pelo público, mas por antever o árduo trabalho que teríamos pela frente, além da questão financeira, pois conheço bem nosso mercado e sei o quanto muitos de nossos empresários não aprenderam a valorizar o trabalho alheio, apenas o deles mesmos.
Confesso que preferi deixar-me contaminar pelo ânimo da nossa jovem equipe, que não mediu esforços para pôr em circulação em prazo recorde uma publicação diferente de tudo que havia na cidade.
De imediato, colhemos as melhores reações do público guarulhense e, um pouco depois, começamos a receber relatos animadores de anunciantes, satisfeitos com os resultados. Essa é a simbiose perfeita para um veículo de comunicação: leitores satisfeitos, consumidores em potencial que passam a prestigiar quem anuncia, que, por sua vez, recomenda a outros anunciantes; o veículo se fortalece, quem o produz sente-se incentivado e tudo caminha bem para todos.
Mas, seria possível esperar que todas as pessoas gostassem? Dizia Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra. Seria, portanto, tolice imaginar que a Weekend tivesse total aceitação.
Há alguns dias, publicamos carta de um leitor, dizendo que a revista não tem pé nem cabeça, que só escrevemos o que pensamos. Não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas acho que tem todo o direito de pensar assim. Se me permitem um esboço de defesa, escrevemos realmente o que pensamos, mas temos o hábito de ouvir fontes de qualidade em cada um dos assuntos abordados. Nos artigos opinativos, como os editoriais, aí prevalece, sem dúvida, a opinião de quem assina, mas, se houver quem conteste nosso posicionamento, não haverá problema em publicarmos.
Nesta semana, recebi uma educadíssima mensagem de uma professora aposentada, de 60 anos. Ela diz que há 25 acompanha meu trabalho no jornalismo, mas critica o conteúdo editorial da Weekend, afirmando que não tem tudo vontade de abrir a revista, que invariavelmente seu filho leva para ela. A professora considera superficiais as matérias e entende que, assim, é um trabalho incoerente com minha história no jornalismo.
Escrevi mensagem em resposta, agradecendo a sinceridade de suas palavras e explicando as diferenças entre as duas revistas que editamos. Reproduzo trecho do que escrevi:
Weekend é uma revista voltada basicamente para informar às pessoas sobre o que há para ver, ouvir, assistir, no fim de semana ou nos dias seguintes. É uma revista de entretenimento e de consumo, com exceção das matérias sobre saúde, comportamento e os testes de veículos. Reportagens mais profundas publicamos na RG, bimestral. É uma revista mais densa, elaborada com mais tempo, mais fontes de informações.
Acrescentei que, mesmo sopesando as diferenças de conteúdo das duas revistas, suas observações serão levadas em conta, como uma reflexão para cada um dos que trabalham em nossa equipe.
Posso dizer sem medo de errar que, se obtive reconhecimento público ao longo de 30 anos de exercício desta profissão em Guarulhos, devo essa conquista ao fato de sempre ouvir o que o leitor tem a dizer. Afinal, ninguém é senhor da razão. Pode acontecer de eu escrever algo achando que serei feliz ao transmitir o que busco alcançar e, na outra ponta da linha, quem lê entender bem diferente do que eu imaginava.
Defendo totalmente o direito de os leitores se manifestaram, criticarem o que fazemos, apontando ou não soluções, fazendo ou não sugestões. É ouvindo a opinião das pessoas que temos a oportunidade de aprimorar o que fazemos. Creio que deva ser assim em todas as profissões, mas mais ainda com quem trabalha espalhando informações e conceitos, influenciando a população. Opine, conteste, critique. Ajude-nos a fazer produtos editoriais cada vez melhores.