Guarulhos amanheceu sem ônibus. Um caos nas ruas. Gente se acotovelando nos pontos de parada, disputando um espaçozinho nas lotações superlotadas. Gente caminhando pelas ruas, guarda-chuvas aberto, na esperança de chegar de algum jeito no trabalho ou na escola. Não é preciso ser adivinho para saber que muitos chegaram atrasados nesta fria manhã de quarta-feira.
Não sei quem tem razão nessa briga. Considerando fatos antecedentes envolvendo o Sindicato dos Condutores, nos quais dirigentes foram assassinados, a sede da entidade invadida, em outra ocasião armas apreendidas, a gente fica com um pé atrás.
Motoristas e cobradores devem ter suas razões para resolver parar. E as empresas talvez tenham as suas para não atender às reivindicações.
O resumo da ópera é que uma greve no transporte coletivo afeta a todos, não apenas a quem depende de ônibus. O trânsito fica um inferno, há um clima pesado no ar, como se algo de tenebroso pudesse acontecer. Até porque em outras greves aconteceu de haver ônibus depredados, incendiados, em uma atitude lamentável e condenável, pois, afinal, o ônibus destruído hoje fará falta à população amanhã. E engana-se quem acha que não será o povo que pagará pelo estrago.
Greve de condutores lembra a máxima de que o presidente de uma grande empresa pode faltar uma semana e talvez ninguém se dê conta, mas se a mulher que faz o cafezinho chegar atrasada meia hora, todo mundo sentirá sua falta.
Sopesados os motivos que têm de fazer greve ou que as empresas tenham para não atender as exigências, o fato é que uma greve deveria ser evitada, pois dói no calo de todos.