Archive for maio, 2010

Tiragens e mentiragens


2010
05.31

Sempre haverá quem consiga produzir algo de qualidade inferior, ainda que aparentemente semelhante, por um preço significativamente menor.

No ramo editorial, quando se trata de publicações de distribuição gratuita e que, portanto, dependem da receita de publicidade, é um hábito divulgar tiragens que não se confirmam na realidade.

Esse hábito existe para tentar fazer crer ao anunciante que há uma relação custo x benefício bastante atrativa. O artifício pode prosperar por algum tempo, mas não se sustenta, porque o cliente irá perceber pelo resultado pífio que a tiragem divulgada não era verdadeira.

As publicações de responsabilidade da Carleto Editorial, empresa que dirijo junto com meu filho Fábio, divulgam exatamente a tiragem que produzem.

A Revista Guarulhos (RG), bimestral, passou recentemente de 10 mil para 12 mil exemplares, impressos em papel couchê de primeiríssima qualidade. A revista semanal Weekend começou em outubro de 2009 com 12.500 exemplares e em abril passou a ter 15 mil exemplares, impressos em papel LWC, o mesmo das maiores revistas do país, como Veja, IstoÉ e Época. As duas revistas da Carleto são impressas pela Editora Parma, de Cumbica, Guarulhos, tanto pela qualidade do trabalho realizado, quanto pelo atendimento que nos é dedicado, mas também pelo princípio que defendemos de prestigiar, sempre que possível, as empresas de Guarulhos.

Se não bastassem as notas fiscais da Parma, comprovando as tiragens divulgadas, a cada edição pelo menos um cliente é convidado a visitar a redação e conferir a tiragem e verificar in loco o trabalho de etiquetagem dos mais de 6 mil exemplares nominais entregues em mais de 100 dos melhores condomínios da cidade.

Evidentemente, para produzir tantos exemplares, o custo dos anúncios em nossas páginas não tem como ser irrisório como o de outras publicações.

Felizmente, enquanto há os que se contentam em pagar menos, sem levar em conta a verdadeira tiragem, há muitos outros que zelam pelos valores que investem em publicidade e que, por isso, preferem pagar mais caro para ter resultados efetivos, o que, na prática, corresponde a pagar menos. Afinal, publicidade não é caridade, nem despesa, mas investimento. E quem investe quer retorno.

O crime ocorrido no Extra do Jardim Maia


2010
05.28

Não se fala em outra coisa. Estão todos perplexos com o crime perpetrado dentro do hipermercado Extra do Jardim Maia, quando um rapaz de 27 anos, sem mais, nem menos, esfaqueou três pessoas, matando uma delas, um senhor chinês, de 60 anos.

Alguns apressam-se em apontar responsabilidade do Extra, porque a faca usado no crime estava ao alcance das mãos de qualquer um. Parece-me uma conclusão precipitada, pois há facas à venda em qualquer supermercado do país e em lojas de ferragens e de utilidades domésticas, geralmente disponíveis em bancadas baixas, até alcançáveis por crianças.

Testemunhas apontam que os seguranças ficaram inertes, mesmo após o criminoso ter feito a primeira e a segunda vítimas. É lógico que os fatos precisam ser apurados e, se houve negligência de alguém, que sejam assumidas as responsabilidades. Mas, dependendo de quantos minutos tenham transcorrido e do aparato com que os seguranças podiam contar, não sei se teria sido possível conter o tresloucado.

O episódio me fez lembrar um outro que presenciei, em 1986, quando eu era funcionário do Banco do Brasil, na agência da rua Felício Marcondes, em Guarulhos.

Um aposentado queria receber o valor do INSS em um dia anterior ao que correspondia ao seu número de benefício. O caixa encaminhou o idoso para o supervisor e o homem passou a tentar desferir golpes de faca contra o funcionário. Tumulto geral, os vigilantes correram para conter o aposentado. Colocado frente a frente com o homem, um dos vigilantes acabou disparando um tiro, que veio a atingir um jovem funcionário de outro setor que viera à plataforma de atendimento ver o que ocorria. O colega de serviço morreu quase de imediato.

Na sequência, outro vigia tentou conter o homem alucinado e acabou baleando-o mortalmente.

Foram cenas que jamais sairão da mente de todos que a assistiram. Fico imaginando o que poderia ter acontecido no Extra se os seguranças usassem armas de fogo para tentar impedir que o jovem ferisse outras pessoas.

Salvo melhor juízo, parece-me ter sido uma fatalidade, que pode ocorrer com qualquer um de nós, em qualquer lugar. Nunca estamos cem por cento seguros, em local algum. Quem garante que, em um ponto de ônibus, na rua, na escola, no açougue, onde quer que seja, não apareça alguém totalmente fora do juízo normal, e desfira golpes de faca ou saia atirando, como tem acontecido em países ditos desenvolvidos, com relativa frequência.

O problema está no ser humano. As pessoas estão cada vez mais confusas, buscando êxito em coisas erradas, procurando a felicidade em comportamentos estranhos; ansiosas, apreensivas, parece que nunca estão satisfeitas.
O ser humano cada vez tem mais conhecimento científico, realiza proezas antes impensáveis, mas não se conhece, não tem ideia do poder da própria mente. E se for feita uma análise pormenorizada, é possível que o percentual de pessoas desequilibradas mentalmente seja muito maior do que possa parecer à primeira vista.

Considerações sobre “Guarulhos de Cara Nova”


2010
05.27

Não resta dúvida de que era mesmo preciso disciplinar a publicidade em Guarulhos, pois como estava não podia continuar.

Há tantas leis e decretos a respeito das posturas que acabam provocando interpretações diversas e, portanto, a fiscalização age de forma diferente em um e outro local, aplicando sanções a uns e permitindo liberalidades a outros.

O decreto publicado em 23/4 no Diário Oficial não acaba com as dúvidas, mas, pelo menos, coloca parâmetros a serem cumpridos.

Os estabelecimentos terão um ano para se enquadrarem nas novas normas, quando a fachadas, placas e painéis que tenham sido licenciados pela Prefeitura. O primeiro momento é mais de orientação do que de fiscalização.

Eu não entendo por que, no entanto, a propaganda em muros, que já foi proibida há dois anos, continua sendo praticada. É difícil punir as empresas que exploram esse tipo de serviço, mas, se agora os estabelecimentos anunciantes podem ser punidos, seria bom que a Prefeitura divulgasse bem isso, para que todos saibam que podem ser multados se usarem esse tipo de publicidade.

Há um aspecto do decreto que merece uma reflexão à parte: a proibição de banners nas vias públicas.

Há alguns anos, quando a Prefeitura começou a remover as placas de empreendimentos imobiliários que eram amarradas em postes nos canteiros das avenidas, os empreendedores passaram a utilizar uma forma criativa de driblar a proibição. Se era proibido afixar as placas, começaram a contratar pessoas segurando os banners nas ruas. A contragosto, as autoridades toleraram a iniciativa.

É evidente que se trata de uma função degradante para as pessoas que trabalham nesse serviço, passando um dia todo segurando uma placa na rua.

Mas é também evidente que, para muitas famílias, essa é a única fonte de renda e que esse expediente tem valido a muita gente o sustento dos filhos. Leve-se em conta, ainda, que geralmente trabalham nesse serviço no fim de semana, o que não impede que estudem ou que trabalhem nos outros dias em atividades diferentes dessas.

Um empresário do ramo comentou comigo -e é bem possível que esteja certo – que há casos em que mãe e dois ou três filhos estão todos nesse serviço e que, se a Prefeitura agir com rigor em relação a essa proibição, as centenas de pessoas que trabalhavam segurando banners buscarão formas alternativas de renda, e muitas delas acabarão sendo envolvidas pela criminalidade, vendendo drogas, assaltando, ou, no mínimo, se prostituindo.

Pode ser interpretado como exagero. Mas é uma questão social a ser levada em conta pelas autoridades.

É uma função improdutiva? É degradante? Chega a dar dó ver essas pessoas sob o sol inclemente ou passando frio? Tudo isso é verdade. Mas, por outro lado, estão trabalhando, defendendo honestamente seu dinheirinho. E cabe uma última pergunta: as faixas que os vereadores afixam nos postes, nos cruzamentos das principais vias da cidade, não poluem muito mais do que os banners que eram segurados por essas pessoas?

Uma dose de Simancol não faz mal a ninguém


2010
05.26

Relato cena que se repete a cada dia diante dos portões de escolas, geralmente particulares:

Alguns carros estacionam à direita, outros à esquerda, para que as crianças desçam e se dirijam para a aula.

Porém, há sempre os motoristas que teimam em parar na fila do meio, para que seus filhos possam descer exatamente na porta da escola.

Com essa atitude egoísta, provocam uma série de desencadeamentos desagradáveis.

Para começar, estacionam sobre a faixa de pedestres, impedindo que as crianças que desceram corretamente na calçada possam atravessar com segurança.

Enquanto as crianças descem, retiram as maletas ou mochilas, agasalhos e tudo mais, os motoristas que estão chegando e não querem ficar na fila do meio têm de esperar a boa vontade de quem está na frente. Não raro, a mãe ou o pai motorista do carro estacionado sobre a faixa ainda desce para ajeitar a gola da blusa da filha, dar um trato no cabelinho ou nos óculos do filho e não voltam para o volante antes de beijar as crianças, abençoá-las e repetir a ladainha de todas aquelas recomendações.

Seria ótimo agir assim, se não estivesse atrapalhando todos os outros motoristas e as outras crianças, que também merecem ser bem cuidadas, abençoadas, etc., etc.

Pior de tudo isso é que os/as motoristas que agem assim estão passando péssimo exemplo para seus filhos. Essas crianças crescerão aprendendo que tudo podem, que o mundo pode parar para atender seus desejos e devaneios, que não precisam se preocupar com o direito dos outros e que essa história de exercício de cidadania é um discurso vazio de quem não se dá o devido valor.

Não sei se este manifesto será aplaudido ou causará repulsa da maioria dos pais de alunos. Pelo que observo, é uma ínfima minoria que age como relatei, mas o suficiente para causar transtorno a todos. Aos que nunca pararam para pensar que podem estar errados ao agir assim, recomendo uma minuto de reflexão. Tenho certeza de que sua consciência irá lhes dizer: “Se manca, que você não está agradando!”.
Se eu também não estiver agradando com este tipo de opinião, manifeste-se. O espaço sempre estará garantido para o contraditório, como um bom exercício de cidadania.

Trânsito de São Paulo beneficia Guarulhos


2010
05.24

Não resta dúvida de que seria pior sem elas, mas era previsível que não seriam nenhuma panacéia.

Refiro-me às novas pistas da Marginal do Tietê. Hoje fui a São Paulo pela manhã, trafegando desde a saída da Dutra até a Marginal Pinheiros. Não havia feito isso ainda em dia útil, de forma que ainda não havia testado a eficácia da obra.

Nunca tive ilusão de que resolvessem o caótico trânsito de São Paulo, as confesso que esperava que demorasse um pouco mais para que ficassem entupidas como vi hoje cedo.

Ampliação do número de pistas, ajustes no traçado das vias e outras medidas semelhantes podem ser um paliativo, mas não representam solução efetiva.

Para mudar mesmo para melhor, só implantando uma imensa rede de transporte coletivo de massa. Leia-se metrô ou, no mínimo, corredores segregados de ônibus com passagens elevadas nos cruzamentos.

Custa muito dinheiro, muito. Mas não tem outro jeito.

Enquanto ninguém se dispuser a uma atitude corajosa como essa, sobram efeitos colaterais positivos para cidades vizinhas, como é o caso de Guarulhos. Se bem que, em contrapartida aos efeitos positivos, o trânsito de Guarulhos também já está infernal; aliás, tema da próxima Weekend.

Pois bem. O efeito positivo do caos da Capital é que as pessoas acabam ficando mais em Guarulhos, prestigiando mais o comércio local, curtindo mais a cidade.

Até passado muito recente, tudo era pretexto para ir a São Paulo. Determinadas grifes que Guarulhos ainda não tinha (ou não tem), preço, variedade, saborear uma comidinha diferente.

Pouco a pouco, Guarulhos foi se adaptando às exigências dos consumidores, novas grifes foram chegando, as lojas têm se modernizado, a gastronomia da cidade evoluiu muito, oferecendo muito mais do que há dois anos, por exemplo.

Se os empreendedores continuarem com esse ânimo, investindo cada vez mais em novos estabelecimentos e em melhorias nos existentes, os guarulhenses irão prestigiar, até para não sofrer o desgaste do trânsito paulistano. E os milhares de novos guarulhenses que irão habitar os inúmeros condomínios em construção irão se somar a esse já imenso pólo consumidor.

São Paulo não dá mais! Vamos ficar em Guarulhos, gerando novos e melhores empregos em nossa cidade. É bom para todos.

Iporangardenville reage a mudanças no trânsito


2010
05.21

O jornalista aposentado Édison Marcos escreve irada crônica, comentando as mudanças efetuadas pela Prefeitura no Jardim Iporanga, que ele chama de Iporangardenville.

Dono de um humor ferino e usuário de muitos trocadilhos, Édison mantém o hábito de escrever todos os dias, a mão, pois é avesso e todo e qualquer penduricalho eletrônico.

Há alguns dias, aqui mesmo neste blog, escrevi sobre as mudanças no trânsito da região da vila Rio, argumentando que, embora estejam sendo criticadas por boa parte dos moradores, o sistema viário local não permitia alternativa muito melhor.

Édison diz que Almeida está copiando Elói, cuja equipe, numa canetada, mudou o trânsito de vila Galvão, provocou revolta sem precedentes e acabou tendo de voltar atrás, consumindo recursos públicos para reverter tudo que havia sido mudado.

“É a demoniocracia PeTulante”, sentencia o jornalista.

Ele prossegue dizendo que o Brasil se parece muito com o que ele escreve: “piada sem graça”.

Segundo ele, o ministro da Saúde, Temporão, dá receita sem bula, como se se julgasse Hipócrates. O conselho do ministro, de que praticar sexo é fazer exercício, se tivesse bula conteria efeitos colaterais, reações adversas e posologia.

Édison Marcos sugere que o ministro volte atrás e determine: “O Ministério da Saúde adverte: sexo temporão não é santo remédio”.

Está registrada sua ira, caríssimo Édison Marcos. Pena que você não vá ler, já que se recusa a acessar a internet. Mesmo assim, um abraço, e obrigado pela carta, enviada pelo Correio, para manter a tradição.

O direito sagrado da opinião contrária


2010
05.20

Temos recebido inúmeras manifestações elogiosas em relação às revistas Weekend e RG, que editamos pela Carleto Editorial.

Lançada em outubro de 2009, a revista semanal Weekend é um projeto de meu filho Fábio e, como já disse em algumas entrevistas, de início em relutei em abraçar essa nova empreitada, não por receio de como o produto seria aceito pelo público, mas por antever o árduo trabalho que teríamos pela frente, além da questão financeira, pois conheço bem nosso mercado e sei o quanto muitos de nossos empresários não aprenderam a valorizar o trabalho alheio, apenas o deles mesmos.

Confesso que preferi deixar-me contaminar pelo ânimo da nossa jovem equipe, que não mediu esforços para pôr em circulação em prazo recorde uma publicação diferente de tudo que havia na cidade.

De imediato, colhemos as melhores reações do público guarulhense e, um pouco depois, começamos a receber relatos animadores de anunciantes, satisfeitos com os resultados. Essa é a simbiose perfeita para um veículo de comunicação: leitores satisfeitos, consumidores em potencial que passam a prestigiar quem anuncia, que, por sua vez, recomenda a outros anunciantes; o veículo se fortalece, quem o produz sente-se incentivado e tudo caminha bem para todos.

Mas, seria possível esperar que todas as pessoas gostassem? Dizia Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra. Seria, portanto, tolice imaginar que a Weekend tivesse total aceitação.

Há alguns dias, publicamos carta de um leitor, dizendo que a revista não tem pé nem cabeça, que só escrevemos o que pensamos. Não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas acho que tem todo o direito de pensar assim. Se me permitem um esboço de defesa, escrevemos realmente o que pensamos, mas temos o hábito de ouvir fontes de qualidade em cada um dos assuntos abordados. Nos artigos opinativos, como os editoriais, aí prevalece, sem dúvida, a opinião de quem assina, mas, se houver quem conteste nosso posicionamento, não haverá problema em publicarmos.

Nesta semana, recebi uma educadíssima mensagem de uma professora aposentada, de 60 anos. Ela diz que há 25 acompanha meu trabalho no jornalismo, mas critica o conteúdo editorial da Weekend, afirmando que não tem tudo vontade de abrir a revista, que invariavelmente seu filho leva para ela. A professora considera superficiais as matérias e entende que, assim, é um trabalho incoerente com minha história no jornalismo.

Escrevi mensagem em resposta, agradecendo a sinceridade de suas palavras e explicando as diferenças entre as duas revistas que editamos. Reproduzo trecho do que escrevi: 

Weekend é uma revista voltada basicamente para informar às pessoas sobre o que há para ver, ouvir, assistir, no fim de semana ou nos dias seguintes. É uma revista de entretenimento e de consumo, com exceção das matérias sobre saúde, comportamento e os testes de veículos. Reportagens mais profundas publicamos na RG, bimestral. É uma revista mais densa, elaborada com mais tempo, mais fontes de informações.

Acrescentei que, mesmo sopesando as diferenças de conteúdo das duas revistas, suas observações serão levadas em conta, como uma reflexão para cada um dos que trabalham em nossa equipe.

Posso dizer sem medo de errar que, se obtive reconhecimento público ao longo de 30 anos de exercício desta profissão em Guarulhos, devo essa conquista ao fato de sempre ouvir o que o leitor tem a dizer. Afinal, ninguém é senhor da razão. Pode acontecer de eu escrever algo achando que serei feliz ao transmitir o que busco alcançar e, na outra ponta da linha, quem lê entender bem diferente do que eu imaginava.

Defendo totalmente o direito de os leitores se manifestaram, criticarem o que fazemos, apontando ou não soluções, fazendo ou não sugestões. É ouvindo a opinião das pessoas que temos a oportunidade de aprimorar o que fazemos. Creio que deva ser assim em todas as profissões, mas mais ainda com quem trabalha espalhando informações e conceitos, influenciando a população. Opine, conteste, critique. Ajude-nos a fazer produtos editoriais cada vez melhores.

Uma greve que afeta a todos


2010
05.19

Guarulhos amanheceu sem ônibus. Um caos nas ruas. Gente se acotovelando nos pontos de parada, disputando um espaçozinho nas lotações superlotadas. Gente caminhando pelas ruas, guarda-chuvas aberto, na esperança de chegar de algum jeito no trabalho ou na escola. Não é preciso ser adivinho para saber que muitos chegaram atrasados nesta fria manhã de quarta-feira.

Não sei quem tem razão nessa briga. Considerando fatos antecedentes envolvendo o Sindicato dos Condutores, nos quais dirigentes foram assassinados, a sede da entidade invadida, em outra ocasião armas apreendidas, a gente fica com um pé atrás.

Motoristas e cobradores devem ter suas razões para resolver parar. E as empresas talvez tenham as suas para não atender às reivindicações.

O resumo da ópera é que uma greve no transporte coletivo afeta a todos, não apenas a quem depende de ônibus. O trânsito fica um inferno, há um clima pesado no ar, como se algo de tenebroso pudesse acontecer. Até porque em outras greves aconteceu de haver ônibus depredados, incendiados, em uma atitude lamentável e condenável, pois, afinal, o ônibus destruído hoje fará falta à população amanhã. E engana-se quem acha que não será o povo que pagará pelo estrago.

Greve de condutores lembra a máxima de que o presidente de uma grande empresa pode faltar uma semana e talvez ninguém se dê conta, mas se a mulher que faz o cafezinho chegar atrasada meia hora, todo mundo sentirá sua falta.

Sopesados os motivos que têm de fazer greve ou que as empresas tenham para não atender as exigências, o fato é que uma greve deveria ser evitada, pois dói no calo de todos.

As alterações no trânsito da região da vila Rio


2010
05.18

Têm causado grande polêmica as alterações efetuadas no trânsito da região da vila Rio de Janeiro, proximidades do Carrefour.

A Secretaria de Transportes e Trânsito implantou mão única de direção na avenida Salgado Filho, a partir da confluência com a avenida Bartolomeu De Carlos, conhecida como Transguarulhense. Para quem se dirige dos bairros para o Centro, foi instituída mão única na avenida Benjamin Harris Hunnicutt.

O inconformismo se dá, principalmente, quando o motorista está no Jardim Santa Clara, portanto a poucos metros da avenida Suplicy, e tem de se deslocar até o Jardim Iporanga, única forma de acessar a avenida Benjamin Harris Hunnicutt.

É inevitável que os usuários reclamem, realmente não ficou uma maravilha, mas o fato é que como estava não dava para continuar. Algo haveria de ser feito e não vejo como pudesse ter sido feito melhor, a não ser que novas vias fossem abertas na região, o que também é dificultado pelo relevo do local.

O fato é que Guarulhos cresceu de forma muito desordenada, sem planejamento, e as vias de tráfego não comportam o volume de carros que atualmente circulam pela cidade.

O proprietário do posto de combustíveis situado na esquina das avenidas Suplicy e Salgado Filho relata que seu movimento caiu cerca de 20% com as alterações, mesmo com a obrigatoriedade de passarem em frente a seu estabelecimento os veículos que antes podiam atingir a Benjamin Hunnicutt sem passar pela confluência pela Suplicy.

Aliás, a pequena praça que tem de ser contornada para fazer a conversão da Transguarulhense para a Salgado Filho não comporta tanto movimento e, além disso, seu traçado geométrico dificulta as manobras de caminhões que fazem aquele retorno.

Como bem disse o comerciante, para mudar esse quadro de dificuldades no trânsito nossos administradores teriam de ser bastante ousados e essa mudança de atitude demandaria enorme soma de recursos. A Suplicy teria de ser “esticada” até que seu grande volume de tráfego pudesse ser escoado por vias secundárias, já no Jardim Santa Clara.

Construções foram feitas próximas a margens de córregos e há terrenos vazios que podem ser desapropriados. Fica mais barato fazê-lo antes que haja construções. Porém, como já foi dito, isso demanda muito dinheiro e certa dose de coragem.

Enquanto não se obtém uma solução duradoura, que pode não vir jamais, parece-me que o paliativo posto em prática pela STT está funcionando relativamente bem, com exceção do contorno da pracinha ao lado da Suplicy. Talvez fosse útil direcionar para a rua Roberto os veículos que descem a Suplicy com destino ao sentido Centro da Salgado Filho, liberando a pequena praça unicamente para quem precisa fazer o retorno.

Se você, internauta, tem alguma sugestão que melhore o trânsito da região, poste seu comentário.

160 anos de bons exemplos


2010
05.17

Junto aos meus três irmãos, tive a felicidade de comemorar o aniversário de meus pais, Armando e Antonia. Ele completou 82 anos no dia 11 e ela, 78, no dia 9. Resolvemos, então, promover uma ampla reunião de família, já que a soma dos dois resulta em 160 anos.

Para nossa alegria, conseguimos reunir familiares residentes em diversas cidades, casualmente representando várias ramificações das famílias Martins, de minha mãe, e Carleto, de meu pai.

Os quatro filhos do casal, noras, oito dos nove netos, um dos três bisnetos, irmãos, cunhados e cunhadas, primos, sobrinhos, todos envolvidos em um clima de harmonia, matando as saudades de algum tempo de ausência em alguns casos, revivendo momentos marcantes de outros encontros. Que felicidade rever tantos parentes queridos, com os quais nem sempre temos a chance de conviver.

Que benção ter conosco nossos pais, nessa altura da vida, com saúde para curtir esse momento sublime.

É realmente um privilégio fazer parte dessas famílias, gente humilde que preserva seus valores e princípios, acima de quaisquer outros interesses. E que se reúne de uma maneira muito agradável a cada oportunidade, todos participando ativamente, colaborando, brincando, jogando bola, enfim, aproveitando cada instante para estar junto, conversar, contar dos filhos e netos, as conquistas que vêm obtendo, o orgulho de vê-los crescendo e se desenvolvendo. Em geral, vê-se que formaram núcleos familiares à imagem e semelhança dos antepassados, buscando manter as mesmas características de amizade e ótimo relacionamento, logicamente fazendo o possível para que as novas gerações tenham excelente formação, para que desfrutem da vida com menos sacrifício do que os que os antecederam.

Essa é a lei da vida: temos o dever de legar um futuro melhor àqueles a quem temos a responsabilidade de educar e formar.

Este relato bastante pessoal tem o objetivo de agradecer a Deus por essa dádiva, bem como de transmitir uma mensagem a tantas pessoas que perdem as melhores chances que a vida lhes proporciona, digladiando-se entre irmãos, pais e filhos, por questões minúsculas, como posses e bens, coisas efêmeras que podem passar a impressão de felicidade, mas que, na essência, tão pouco representam. Se não damos valor a nossa própria família, aos que nos deram a vida, que nos cuidaram, se dedicaram, deram o melhor de si, que mais podemos valorizar?

A vida é muito sublime para se perder por coisas tão pequenas. Dou graças a Deus pela grandeza que tivemos ao decidir por essa comemoração, que, temos certeza, ficará gravada indelevelmente na retina dos olhos e na memória de cada um que participou. Mais ainda, no coração de todos.