Archive for abril, 2010

“A Sombra” é o reflexo de nossas vidas


2010
04.19

Posso parecer suspeito para comentar a peça “A Sombra”, em cartaz na Casa dos Cordéis, por ser pai da diretora do espetáculo e do grupo Teatro Provisório, Simone Carleto. Mas, mesmo assim, atrevo-me a fazê-lo.

Digo atrevo-me, porque eu me considero um semianalfabeto em teatro. Não são raras as vezes que divirjo da Simone, sobre peças a que fomos assistir juntos ou sobre peças das quais ela participou.

Minha visão é muito senso comum e para comentar corretamente seria desejável conhecimento mais profundo do assunto, como linguagens, estética e estilos.

Já assisti três vezes à nova peça e confesso que a cada encenação descubro novas nuances, entendo partes que não havia entendido, mas, ainda assim, não entendi exatamente o que o autor do texto, Felipe Aizawa, buscou transmitir. Observo o semblante dos outros espectadores e todos deixam transparecer que saem da peça com mais dúvidas do que certezas.

Confortante é que fatalmente saem também com um convite mental para refletir sobre suas próprias vidas. Afinal, a escritora, personagem central de “A Sombra”, passa o tempo todo pensando o que fazer com cada personagem do livro que está escrevendo e se envolve de tal forma, que já não sabe o que é realidade e o que é ficção. Cada um de nós é um pouco o andarilho que se recusa a responder por que anda tanto, nem sabe qual direção seguir. Cada um de nós é um pouco o homem que todos os dias lê seu jornal e espera pelo ônibus, que nem sempre vem. Cada um de nós é o marido da escritora, competindo com seres imaginários que a atormentam e pelos quais ela nutre inusitada paixão. Cada um de nós é a escritora, preocupados sempre como agir com as pessoas com quem convivemos, como se dependesse de nós o que cada uma delas fará de sua vida.

O resultado geral me agrada. O desempenho dos atores me surpreendeu positivamente, principalmente nos momentos em que falam encarando o espectador, quando destilam fina ironia e quando transformam o silêncio em maior expressão. A trilha sonora é compatível com as cenas, salvo um ou outro instante nos quais chega a prejudicar ouvir o que os atores estão dizendo.

A criatividade e dedicação do grupo para superar obstáculos da produção é quase comovente, como é comovente o cotidiano de Bosco Maciel para viabilizar a Casa dos Cordéis. O espaço teve de ser reinventado para exibir a peça e mostrou-se bem adaptado para o tipo de encenação que o grupo montou.

Por tudo isso, vale ir assistir “A Sombra”, em uma das quatro apresentações que ainda serão feitas nessa temporada. Sábados e domingos, às 20h, até 2 de maio. Os ingressos custam R$ 20, mas estudantes, idosos, professores e leitores da revista Weekend pagam meia. A Casa dos Cordéis fica na av. Torres Tibagy, 90 (Anel Viário, a poucos metros da caixa d´água do Saae da avenida Emílio Ribas).

Crianças e adolescentes pilotando motonetas


2010
04.18

Tenho observado que há pais que autorizam filhos adolescentes, ainda quase crianças, a pilotar motocicletas de pequeno porte, como as Mobyletes, pelas ruas da cidade e no interior de condomínios.

É preciso atentar que, embora esses veículos sejam de baixa cilindrada, são capazes de provocar atropelamentos e outros acidentes.

A esses pais que acham que seus filhos tudo podem e que isso não tem nada demais, lembro que um acidente pode vitimar exatamente quem conduz uma motoneta dessa, principalmente pelo fato de que em geral os minipilotos andam sem capacete. Como eles não são habilitados e nem estão preocupados com multas, já que as motonetas às vezes sequer têm placas, abusam da velocidade e põem em risco a integridade das outras pessoas, principalmente idosos e crianças.

Se uma simples bicicleta é capaz de matar um pedestre, o que dizer dessas geringonças mecanizadas?

Eu fico me perguntando que tipo de cidadãoes esses pais pensam que estão criando. Desde cedo, é preciso mostrar aos jovens que a vida exige limites, onde quer que eles venham a desenvolver qualquer atividade.

Quando um pai ou mãe não consegue dizer Não ao filho ou à filha, está abrindo espaço para que ele ou ela venha a sofrer sérias decepções no futuro, pois eles ouvirão a fatídica palavra Não em muitos momentos de suas vidas, sejam decisivos ou não.

Creio que muitos pais vêm de uma educação tão castradora e limitadora, que agora que têm a missão de educar os filhos, querem ser tão o inverso do que seus pais foram, que acabam se esquecendo de que a vida não é tão fácil quanto gostariam que fosse.

Nesta edição, na qual focalizamos a famigerada indústria das multas de trânsito, não custa mostrar um aspecto que nem é quase visto pela Polícia e outros agentes fiscalizadores, porque ocorre na maioria das vezes em ruas de bairros. Apelo à consciência desses pais, lembrando que são responsáveis por tudo que seus filhos fizerem aos outros, mas também a eles mesmos.